TST determina oitiva de testemunhas em caso de justa causa por supostas ofensas

Data:

denúncia tcu
Créditos: Dekdoyjaidee | iStock

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) anulou as decisões proferidas em ação trabalhista envolvendo a dispensa por justa causa de um auxiliar de serviços gerais e determinou o retorno dos autos à Vara do Trabalho de origem para a oitiva de duas testemunhas indicadas pela empresa. Para o colegiado, o indeferimento da prova testemunhal violou o direito constitucional de defesa do empregador.

O empregado ajuizou reclamação trabalhista após ter sido dispensado por justa causa em maio de 2021. Segundo a empresa Markar Empreendimentos e Serviços Ltda., do Rio de Janeiro (RJ), a penalidade foi motivada por condutas reiteradas de indisciplina e mau procedimento, incluindo agressões verbais a colegas e superiores hierárquicos, bem como ausências injustificadas antes do término do expediente. A empregadora também afirmou que o trabalhador, que atuava como terceirizado, chegou a ser “devolvido” por tomadoras de serviços em razão de sua conduta inadequada.

Durante a instrução processual, a empresa requereu a oitiva de duas testemunhas com o objetivo de comprovar os fatos que teriam ensejado a aplicação da justa causa. O juízo de primeiro grau, contudo, indeferiu a produção da prova, por entender que os elementos constantes dos autos seriam suficientes para o julgamento da causa, afastando a penalidade máxima e condenando a empresa ao pagamento das verbas rescisórias. A decisão foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, que concluiu não estar demonstrada a quebra da fidúcia necessária à caracterização da justa causa.

Ao apreciar o recurso de revista interposto pela empresa, a relatora, ministra Kátia Arruda, entendeu que a negativa de oitiva das testemunhas configurou cerceamento de defesa. A ministra ressaltou que, embora o magistrado detenha poderes para indeferir provas consideradas desnecessárias, no caso concreto a prova testemunhal era essencial para a apuração da gravidade e da reiteração das condutas imputadas ao empregado.

Segundo a relatora, ao reconhecer que os fatos atribuídos ao trabalhador seriam “reprováveis em tese”, mas insuficientes para a justa causa, o Tribunal Regional analisou a controvérsia de forma abstrata, sem permitir a produção de prova apta a demonstrar, em concreto, a quebra da confiança alegada pela empresa. Tal circunstância, afirmou, comprometeu o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, assegurados pela Constituição Federal.

Com a decisão unânime, a Sexta Turma determinou a anulação de todos os atos processuais praticados a partir da fase de instrução, com o retorno dos autos à Vara do Trabalho para a oitiva das testemunhas da empresa e novo julgamento da demanda.

Processo: Ag-RRAg-100440-51.2021.5.01.0022

(Com informações do TST)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Cancelamento de hospedagem: plataforma digital não terá de indenizar

O TJSP afastou a responsabilidade de uma plataforma digital por cancelamento de hospedagem na véspera da viagem. O anfitrião deverá pagar R$ 6 mil por danos materiais e R$ 10 mil por danos morais a seis viajantes.

STJ fixa critérios para indenizações por desapropriação e modula efeitos da decisão

O STJ estabeleceu critérios para calcular indenizações por desapropriação, fixando limites de um ano para avaliações em casos de utilidade pública ou interesse social e de 90 dias para reforma agrária, contados do ajuizamento da ação. A decisão também disciplina a desapropriação indireta e determina que a valorização decorrente da própria atuação estatal seja descontada do valor indenizatório.

Justiça Federal afasta cobrança de Imposto de Renda sobre valorização de bens herdados

A Justiça Federal do RS afastou a cobrança de Imposto de Renda sobre a valorização de bens transmitidos por herança, considerando que a sucessão não representa, para o espólio, acréscimo patrimonial que justifique a tributação. A decisão também apontou possível bitributação diante da incidência do ITCMD sobre o valor de mercado dos bens.

Cármen Lúcia cassa decisão do TST sobre dívidas trabalhistas da Oi

A ministra Cármen Lúcia, do STF, cassou decisão do TST que mantinha a responsabilidade solidária da V.tal por dívidas trabalhistas da Oi. O tribunal deverá realizar novo julgamento considerando o entendimento do Supremo sobre a alienação de unidades produtivas isoladas em recuperações judiciais.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo