TST determina que TRT reexamine processo após deixar de avaliar prova considerada crucial

Data:

separação convencional de bens
Créditos: BernardaSv | iStock

A 6ª Turma do TST anulou decisão do TRT da 10ª Região e determinou o retorno dos autos para novo julgamento, ao reconhecer que o tribunal regional deixou de analisar um e-mail apontado por um professor como prova essencial para demonstrar que o UniCeub descumpriu condição referente ao plano de saúde acordada para sua contratação. Para o colegiado, a omissão configurou negativa de prestação jurisdicional.

O caso

O professor trabalhou no UniCeub entre 2017 e 2019, para onde se mudou após ser convidado a dirigir a Faculdade de Direito e Relações Internacionais. Ele afirma que a mudança de São Paulo para Brasília estava condicionada a dois pontos: a criação de uma pessoa jurídica para recebimento de parte da remuneração e a disponibilização, pela instituição, de um plano de saúde equivalente ao que tinha anteriormente.

Segundo o docente, o plano oferecido era inferior ao prometido, e ele precisou contratar outro por conta própria, acumulando cerca de R$ 72 mil em despesas que, alega, deveriam ter sido reembolsadas. O UniCeub argumentou que o plano pretendido não estava disponível no mercado e que, embora tenha tentado intermediá-lo, não obteve sucesso. Ressaltou ainda que ofereceu o melhor plano existente e que o professor assumiu voluntariamente a contratação de outro serviço.

A sentença e o TRT rejeitaram o pedido de ressarcimento, entendendo que não ficou comprovado que o plano específico era condição obrigatória para a admissão, mas apenas objeto de negociações preliminares.

Omissão sobre e-mail pode alterar entendimento do caso

Ao examinar o recurso, o relator, ministro Augusto César, observou que o professor insistia desde o recurso ordinário que dois e-mails comprovariam o acordo sobre o plano de saúde. Em um deles, supostamente enviado por gerente executivo da instituição, haveria a admissão de que a condição pactuada não estava sendo cumprida: “Concordamos em cumprir e não estamos conseguindo.”

O TST verificou que o TRT não analisou essas mensagens, mesmo após embargos de declaração. A falha, além de violar o art. 93, IX, da Constituição, impediu a adequada apreciação da controvérsia, especialmente porque cabe ao tribunal regional definir o quadro fático — etapa que não pode ser suprida pelo TST devido à Súmula 126.

Reconhecendo a transcendência jurídica da discussão, a 6ª Turma deu provimento ao recurso de revista e determinou que o TRT realize novo julgamento, desta vez com análise expressa do e-mail indicado pelo professor. A decisão foi unânime.

Processo: RR-925-10.2019.5.10.0007

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Anthropic adotará marca d’água em conteúdos do Claude para cumprir regras do AI Act

A Anthropic anunciou que pretende marcar textos e arquivos gerados pelo Claude com mecanismos de identificação, incluindo marcas d’água e metadados de procedência assinados digitalmente. A iniciativa busca adequar os sistemas às regras de transparência previstas no AI Act, legislação da União Europeia sobre inteligência artificial. A empresa também trabalha para aplicar os mecanismos a modelos já lançados durante o período de transição da legislação.

Agentes de inteligência artificial coordenam ações e expõem riscos à segurança digital

Pesquisadores da OpenAI apresentaram novos detalhes sobre um ataque cibernético envolvendo agentes de inteligência artificial contra a plataforma Hugging Face. Segundo os relatos, os sistemas teriam atuado de forma coordenada por dias ou semanas, explorando vulnerabilidades, compartilhando descobertas e circulando entre diferentes ambientes digitais. O caso amplia o debate jurídico e tecnológico sobre autonomia, segurança e responsabilidade no uso de agentes de IA.

Discord apresenta à AGU medidas para reforçar proteção de crianças e adolescentes

O Discord apresentou à Advocacia-Geral da União uma proposta para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. As tratativas começaram após relatório do Ministério da Justiça apontar possíveis falhas na verificação de idade e nos mecanismos de proteção de menores. O plano foi discutido com participação do Discord, do MJSP e da ANPD.

Síria condena Bashar al-Assad à morte por crimes contra a humanidade

A Justiça síria condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil. O tribunal também impôs pena de morte a Atef Najib, primo de Assad e ex-chefe da segurança política em Daraa. As condenações fazem parte dos primeiros processos conduzidos pelas autoridades de transição contra integrantes do antigo regime.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo