Presidente do STF defende que sustentabilidade no Judiciário una gestão eficiente e justiça social

Data:

indenização
Créditos: Boonyachoat | iStock

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (14) que a sustentabilidade no Poder Judiciário depende de uma gestão pública eficiente, baseada no uso racional de recursos e em práticas ambientalmente responsáveis, aliada ao compromisso com justiça social, inclusão e igualdade. A declaração foi feita durante a 2ª Conferência Internacional de Sustentabilidade do Poder Judiciário, realizada no TRT da 8ª Região, em Belém (PA), durante a COP30.

Fachin destacou que a agenda ambiental exige participação democrática ampla e acesso ao conhecimento, além de políticas que garantam dignidade e qualidade de vida. “Não há sustentabilidade verdadeira em uma sociedade ainda injusta, excludente e discriminatória”, afirmou.

Avanços e compromissos do Judiciário

O ministro lembrou que, desde 2021, o CNJ vem ampliando iniciativas voltadas à gestão sustentável, com ações economicamente viáveis e socialmente inclusivas. Entre as diretrizes estão a redução de impactos ambientais, o consumo racional, o reaproveitamento e a reciclagem de materiais, além da promoção de equidade e diversidade.

Segundo Fachin, a partir de 2024 houve o fortalecimento do Fórum Ambiental do Poder Judiciário, de grupos de trabalho da área e de núcleos de apoio técnico. Ele citou ainda o Programa Justiça Carbono Zero, que consolidou o compromisso da Justiça com a agenda climática.

Em 2025, o STF aderiu ao Pacto pela Transformação Ecológica, voltado à proteção ambiental, ao ordenamento territorial, à justiça social e à geração de empregos sustentáveis. O ministro ressaltou a importância de políticas públicas baseadas em dados e transparência, citando sistemas de monitoramento como o SireneJud, utilizado para mapear emergências climáticas.

Proteção aos mais vulneráveis

O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, ressaltou a relevância da Justiça do Trabalho na COP30, destacando seu papel na proteção de trabalhadores vulneráveis diante das transições climáticas e tecnológicas. Ele afirmou que a Justiça trabalhista “aceita a tecnologia, mas não a exploração humana sob nova roupagem”.

A presidente do TRT-8, desembargadora Sulamir Monassa, enfatizou a necessidade de proteger trabalhadores expostos a riscos climáticos, especialmente em atividades essenciais como extrativismo, pesca artesanal e agricultura fora de época. Ela defendeu a aproximação da Justiça com comunidades tradicionais para compreender os impactos reais das mudanças climáticas.

Justiça climática e ações estruturais

O conselheiro do CNJ Guilherme Guimarães Feliciano, presidente da Comissão Permanente de Sustentabilidade, destacou a centralidade do tema da justiça climática na COP30. Ele mencionou o Programa Justiça Carbono Zero, que busca neutralizar emissões de carbono até 2030, e a Resolução 646/2025 do CNJ, que criou um protocolo para emergências socioambientais, garantindo a continuidade da atividade judicial em eventos climáticos extremos.

Voz e protagonismo das mulheres

A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, apresentou a Carta das Mulheres para a COP30, elaborada por organizações e movimentos sociais de todas as regiões do país. O documento traz sete eixos estratégicos, entre eles:

  • biomas e territórios, que propõe o Fundo Mulheres Guardiãs dos Biomas;
  • financiamento climático com perspectiva de gênero, com a criação do Fundo Nacional de Equidade de Gênero;
  • monitoramento, dados e transparência, com a proposta de um Observatório Nacional de Dados Climáticos com enfoque de gênero.

Ela reforçou a necessidade de ampliar a participação feminina em espaços de decisão.

A ativista Luíza Brunet também defendeu maior representatividade das mulheres na formulação de políticas ambientais, afirmando que a crise climática é, antes de tudo, uma crise humanitária. Para ela, mulheres e meninas estão na linha de frente das emergências ambientais, mas ainda são pouco ouvidas. “Não há justiça climática sem justiça de gênero”, afirmou.

(Com informações do STF)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo