Violação de patente gera dano moral presumido, decide STJ

Data:

Reparada por dano moral reflexo pode ocorrer mesmo em caso de vítima sobrevivente
Créditos: Zolnierek | iStock

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a comprovação de violação de patente, também denominada contrafação, é suficiente para caracterizar dano moral presumido (in re ipsa), dispensando a demonstração concreta de prejuízo à imagem, à reputação ou ao prestígio da empresa titular do direito.

O colegiado entendeu que a proteção conferida às patentes, enquanto espécie de propriedade industrial, deve seguir a mesma lógica adotada pelo Tribunal em casos de uso indevido de marcas. Com esse entendimento, foi restabelecida a condenação por danos morais imposta a empresas que fabricaram e comercializaram, sem autorização, uma cópia de carreta graneleira protegida por patente de modelo de utilidade.

A patente de modelo de utilidade é concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para proteger melhorias funcionais introduzidas em objetos ou produtos já existentes.

O caso teve origem em uma ação ajuizada pela fabricante da máquina agrícola para impedir a utilização da patente e obter indenização por perdas e danos. Uma perícia confirmou a violação do direito de propriedade industrial, levando as instâncias ordinárias a determinar a interrupção da fabricação e comercialização do produto durante o período de vigência do registro.

O Tribunal de Justiça de Goiás, entretanto, afastou a condenação por danos morais sob o fundamento de que seria necessária a comprovação de efetivo prejuízo à honra ou à reputação da empresa titular da patente.

Ao analisar o caso, o relator, desembargador convocado Luís Carlos Gambogi, destacou que a jurisprudência do STJ reconhece a existência de dano moral presumido em situações de uso indevido de marca quando comprovada a falsificação, sem exigir demonstração específica do prejuízo.

Segundo o magistrado, embora marca e patente tenham funções distintas, ambas constituem espécies de propriedade industrial e são disciplinadas pela Lei nº 9.279/1996, a Lei da Propriedade Industrial. Para o relator, essa circunstância justifica a aplicação da mesma lógica jurídica quanto à presunção do dano moral.

Gambogi explicou que a marca está diretamente relacionada à identificação, credibilidade e imagem empresarial, enquanto a patente tem como principal finalidade garantir ao titular a exclusividade de utilização e exploração econômica de determinada invenção ou modelo de utilidade. Apesar dessa diferença, a violação do direito de propriedade industrial representa, por si só, uma conduta ilícita capaz de justificar a reparação moral.

No caso concreto, as provas demonstraram que uma das empresas envolvidas fabricou a cópia da carreta graneleira, enquanto outra participou da distribuição, mantendo o produto em estoque e comercializando-o mesmo tendo conhecimento de sua origem ilícita.

Para o relator, comprovada a contrafação, não é necessária a produção de prova específica de que a conduta tenha causado prejuízo à imagem, à reputação ou ao prestígio empresarial da titular da patente. A própria violação do direito de propriedade industrial é suficiente para caracterizar o dano moral presumido.

Com esse entendimento, a Quarta Turma negou provimento ao agravo interno apresentado pela empresa responsável pela fabricação da cópia e restabeleceu a condenação por danos morais.

Leia o acórdão no AREsp 1.567.533.

Processo: AREsp 1567533

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Dano moral reflexo: TJMG mantém indenização de R$ 100 mil a filho de torturado na ditadura

O TJMG manteve indenização de R$ 100 mil ao filho de um homem perseguido e torturado durante a ditadura militar. A decisão reconheceu que a violência também causou danos ao ambiente familiar, mesmo quando a vítima indireta tinha apenas seis meses de idade.

TST condena Amil por manter médico como responsável técnico após dispensa

A Sexta Turma do TST condenou a Amil a pagar R$ 30 mil por danos morais a um médico que permaneceu como responsável técnico da empresa por oito meses após a dispensa. A decisão foi unânime.

STJ discute se juiz pode decretar prisão preventiva quando MP pede medidas cautelares alternativas

O STJ analisa se a decretação de prisão preventiva é ilegal quando o Ministério Público solicita medidas cautelares alternativas. O ministro Sebastião Reis Júnior defende que essa decisão pode configurar prisão de ofício e violar o sistema acusatório. O julgamento foi suspenso após pedido de vista.

Operação Condor: STJ converte prisão perpétua em 30 anos no Brasil

O STJ homologou a condenação italiana de Pedro Antonio Mato Narbondo por quatro homicídios ligados à Operação Condor. A prisão perpétua foi convertida em 30 anos de reclusão, com execução imediata no Brasil.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo