Percentual mínimo de 10% para honorários em execução é regra impositiva

Data:

Segundo o STJ, não é possível diminuir tal percentual, exceto no caso em que o devedor opta pelo pagamento integral da dívida em 3 dias.

honorários
Créditos Iizzetugutmen | iStock

A 4ª Turma do STJ definiu que a regra contida no artigo 827 do CPC/2015, que estabelece honorários advocatícios no percentual de mínimo de 10% sobre o valor do débito exequendo arbitrado na fase inicial na execução por quantia certa, é impositiva. Para a turma, não é possível diminuir tal percentual, exceto no caso em que o devedor opta pelo pagamento integral da dívida em 3 dias.

Uma empresa de investimentos imobiliários do Distrito Federal ajuizou ação de execução de título extrajudicial contra locatária inadimplente, cuja dívida atingiu cerca de R$ 241 mil. O magistrado de primeira instância fixou os honorários em R$ 12 mil, abaixo do percentual mínimo de 10%.

O TJDF negou provimento ao recurso da imobiliária, entendendo que é possível a alteração do percentual devido a proporcionalidade e razoabilidade. Por isso, a imobiliária recorreu ao STJ.

O relator, ministro Luis Felipe Salomão, disse que o tribunal vem reconhecendo a interpretação literal de dispositivos do CPC/2015, inclusive do 827: “A clareza da redação do artigo 827 do CPC é tamanha que não parece recomendável uma digressão sobre seu conteúdo, devendo o aplicador respeitar a escolha legiferante.”

O magistrado entendeu que a interpretação literal do texto da lei é “altamente recomendável, não dando espaço para que o intérprete possa criar a regra”. E acrescentou que foi uma opção legislativa consciente definir o percentual mínimo da verba honorária.

Assim, deu provimento ao recurso especial para fixar em 10% sobre o valor do débito os honorários advocatícios iniciais, ainda existindo a possibilidade de o juiz majorar a verba honorário em virtude do trabalho extra executado pelo advogado (artigo 827, §2º). (Com informações do Superior Tribunal de Justiça.)

Processo: REsp 1745773

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Feliz Dia do Advogado

Neste 11 de agosto, celebramos advogados e advogadas que dedicam sua atuação à defesa de direitos, à Justiça e à cidadania.Parabéns a todos os profissionais da advocacia!

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo