Professor afirma que o assédio moral é resultado de uma cultura empresarial perversa

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Crédito: Viorel Sima/Shutterstock.com
Crédito: Viorel Sima/Shutterstock.com

O professor titular na Unicamp José Roberto Montes Heloani abriu as atividades do I Simpósio sobre Transtornos Mentais no Tribunal Superior do Trabalho (TST), nesta terça-feira (13), com a palestra “Violência laboral e transtornos mentais – Violência nos locais de trabalho, assédio moral, repercussões na saúde mental, Burn out”.  

A questão do assédio nas relações de trabalho tem gerado muitas discussões no meio jurídico e é motivo de reclamações trabalhistas, principalmente nos casos em que o patrão extrapola os limites do poder, juntamente com a pressão pela cobrança de metas. Para o professor, assédio não é uma questão patológica, mas gera transtorno, doenças, às vezes até de forma deliberada, dentro de uma estrutura de gestão baseada em cobranças e metas humanamente impraticáveis.

Segundo Heloani, o assédio moral é intencional, porque é direcionado e tem um objetivo específico. Para ele, a intencionalidade se dá pela forma constante em que ocorre e continua acontecendo nas empresas.

É claro que não posso saber o que passa na cabeça de quem assedia, mas dá para saber, pela própria frequência, que está voltado para alguém, com a intenção de ferir, de humilhar, que não é um simples conflito, um simples desentendimento”, afirma Heloani.

O sistema financeiro aparece como exemplo, “baseado nos resultados do mercado, cultura organizacional perversa, que leva a ter uma organização do trabalho perversa”. Ele conta que já presenciou num grande banco uma placa nos seus setores de treinamentos com a frase: “queremos incansável”, ou, ainda, “Aposentadoria é para fraco”. Essas situações, de acordo com ele, seriam “coisas de nazistas”. “Você quer super-homens, supermáquinas, as pessoas não têm mais direito de pensar na família, nos filhos”, ponderou.

O professor concluiu a palestra indagando ao público qual sociedade queremos construir: “Uma sociedade baseadas em mentiras, que não permite que sejamos humanos, portanto, falhos, que choremos, que amemos? Vamos querer pessoas que são máquinas, calculistas, que visam apenas o lucro?”.

(Augusto Fontenele/RR-Imagens: Fellipe Sampaio)

Fonte: Tribunal Superior do Trabalho

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