Homem com HIV perde aposentadoria após 13 anos

Data:

Homem com HIV perde aposentadoria após 13 anos
Créditos: nito100 | iStock

Um homem de 48 anos narra suas dificuldades em conseguir um novo emprego após sua aposentadoria por invalidez ter sido cancelada após 13 anos. Em 2005, ele passou a receber o benefício do INSS devido aos efeitos do HIV. No entanto, após passar por perícia médica em 2018, a aposentadoria foi cortada.

Ele trabalhava como auxiliar de produção em uma indústria no Paraná antes de se aposentar. Para ele, empresas não contratam pessoas que apresentam atestado médico com muita frequência: “Lógico que a empresa não vai querer contratar um funcionário que pode ter de sair toda hora. Quem vai querer um funcionário com HIV? Não é assim que funciona, teria de ser uma empresa muito legal”. 

Ele narra que, quando ficou com a saúde mais debilitada, passou 50 dias de cama após contrair hepatite B. O trabalhador diz que recebia o benefício e que os conhecidos o questionavam sobre o motivo do afastamento. Ele evitava contar sobre o HIV por causa do estigma social.

Atualmente, aqueles que foram aposentados por invalidez devido ao HIV não são submetidos à perícia de revisão, e, portanto, não correm o risco de ter seus benefícios cortados. Mas a lei entrou em vigor em junho de 2019.

Defensores públicos da área previdenciária relatam um aumento de casos de portadores de HIV que tiveram cortes de aposentadoria e auxílio-doença após o pente-fino do INSS. A Secretaria de Previdência e o INSS disseram que os benefícios por incapacidade são concedidos diante da “incapacidade para exercer sua atividade laboral”, e não exclusivamente da identificação de uma síndrome ou de uma doença.

A defensora pública Carolina Botelho define tais casos como um “problema silencioso”, já que os portadores de HIV evitam falar sobre o tema devido ao estigma social. Ela afirma que “os juízes dizem que em cidade grande não tem isso (estigma social). É um tipo de caso que ainda perdemos muito, mas começou a mudar. Precisamos entender que o ponto central é o estigma sofrido por essa pessoa”. 

Para Carolina, ainda que o beneficiário tenha condições de trabalhar, há uma necessidade de suporte para realizar o tratamento adequado. E o retorno ao mercado de trabalho em uma condição competitiva é um desafio. “O mercado de trabalho hoje é completamente diferente de anos atrás. As exigências são muito maiores hoje. Isso vale para casos de HIV e outras situações também.” 

A defensora ainda pontua que a oferta de cursos e transporte para os cursos de reabilitação é uma obrigação do INSS, mas que eles não são capazes de preparar as pessoas para retornarem ao mercado de trabalho. O órgão diz que oferece “assistência educativa ou reeducativa e de adaptação ou readaptação profissional” para proporcionar aos beneficiários “os meios indicados para o reingresso no mercado de trabalho e no contexto em que vivem”.

(Com informações do Uol)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juliana Ferreira
Juliana Ferreirahttps://juristas.com.br/
Gestora de conteúdo do Portal Juristas.com.br

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo