Em uma live recente promovida pelo Portal Juristas, especialistas de renome nacional debateram os novos desafios que a Inteligência Artificial (IA) impõe ao sistema de justiça brasileiro. O foco central da discussão foi o “Prompt Injection” — uma técnica de manipulação de sistemas de IA que recentemente acendeu um alerta na Justiça do Trabalho.
O que é o Prompt Injection no Judiciário?
A Dra. Giovana Farenzena, juíza do TJ-RS e especialista no tema, explicou que o Prompt Injection consiste na inserção deliberada de instruções ocultas em documentos digitais (como petições iniciais). O objetivo é “enganar” a IA do tribunal para que ela ignore os factos reais e gere uma minuta de decisão favorável a quem enviou o comando viciado.
“A máquina nunca decide; ela subsidia. O humano decide sempre”, afirmou a magistrada, tranquilizando os profissionais ao informar que sistemas como o Gaia (TJ-RS) e o Minuta IA (TJ-PB) já possuem arquiteturas de defesa híbrida para detetar essas manipulações.
Responsabilidade Ética e Profissional
Um ponto crucial do debate foi a responsabilização por essas práticas. No caso concreto discutido, a justiça atribuiu a responsabilidade diretamente às advogadas e não à parte, visto que a redação da peça processual é ato privativo do advogado.
O Dr. Sérgio Longo, presidente da comissão de direito digital do Instituto Juristas, comparou o Prompt Injection a um “vírus” ou código malicioso: “Não é uma tática honesta. Equivale a pagar um oficial de justiça para certificar uma data errada. Atenta contra a boa-fé processual”.
Os 4 Pilares de Aristóteles na Era dos Algoritmos
A Dra. Giovana trouxe uma perspectiva filosófica profunda, aplicando conceitos de Aristóteles para balizar os limites éticos da IA:
Justiça Distributiva: Garantir que a IA não penalize perfis socioeconômicos.
Justiça Corretiva: O dever de auditar e corrigir vieses.
Froneses (Prudência): A sabedoria prática que só o humano possui.
Epieikeia (Equidade): A capacidade de adaptar a lei ao caso concreto, algo que o algoritmo ainda não alcança.
O “Protocolo do Estagiário”
O Dr. Euler Jansen, magistrado na Paraíba, reforçou que a IA deve ser tratada sob o que chamam de “Protocolo do Estagiário”: você pode receber um trabalho brilhante da máquina, mas jamais deve assinar sem uma revisão exauriente. “A IA olha para trás, ela processa dados históricos. O magistrado julga o presente à luz dos valores humanos”, destacou.
Conclusão: O Renascimento da Oralidade
Como reflexo inesperado, os especialistas observaram que o uso da IA está a valorizar a oralidade nos tribunais. Com a automação de tarefas repetitivas, sobra mais tempo para sustentações orais e despachos presenciais, humanizando o processo onde a tecnologia atua apenas como meio, e não como fim.
O Brasil continua na vanguarda regulatória com a Resolução 332 do CNJ, sendo o primeiro país a criar um marco normativo para a IA no Judiciário, antes mesmo da União Europeia (UE).
Assista abaixo à live completa no canal do YouTube do Portal Juristas e mantenha-se atualizado sobre as transformações do Direito Digital:
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