Auditoria do CNJ e CNMP aponta falhas de padronização em pagamentos retroativos de “penduricalhos” na Justiça e no Ministério Público

Data:

pagamento de correção sobre abono
Créditos: Andrey Popov | iStock

Uma auditoria conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público identificou a ausência de padronização nos chamados “penduricalhos” pagos de forma retroativa a magistrados, procuradores e promotores. O levantamento contabilizou 694 pagamentos desse tipo em diferentes órgãos do país.

A apuração foi realizada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em março suspendeu o pagamento de benefícios retroativos anteriores a fevereiro de 2026, ao entender que não havia critérios uniformes para a concessão e cálculo dessas verbas, que podem ultrapassar o teto do funcionalismo público.

Segundo a nota técnica, foram identificados 518 registros na magistratura, distribuídos em 94 tribunais, e 176 no Ministério Público, em 30 unidades. O estudo também revelou grande disparidade na nomenclatura dos pagamentos: 360 nomes diferentes no Judiciário e 23 no MP, dificultando a consolidação dos dados.

O relatório aponta que a falta de uniformização de critérios, memória de cálculo e documentação impede uma auditoria completa dos valores pagos. Sem essas informações, não foi possível estimar o impacto financeiro total dos pagamentos retroativos.

O documento conclui que a ausência de padrões nacionais compromete a transparência e a fiscalização, sendo necessária a criação de um ato normativo que unifique regras de classificação, critérios de cálculo, documentação e rastreabilidade dos pagamentos.

A falta de padronização também impede a verificação de eventual descumprimento da decisão do STF e dificulta o controle sobre o impacto desses valores nos cofres públicos.

Organizações da sociedade civil, como a Transparência Brasil e a República.org, alertam que a falta de clareza pode comprometer a fiscalização dos gastos e gerar risco de pagamentos acima do teto constitucional do funcionalismo, atualmente fixado em R$ 46 mil.

(Com informações do G1 por Jornal Nacional)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo