Ausência de dolo afasta condenação por peculato em caso de bolsas-atleta no Vale do Itajaí

Data:

Ausência de dolo afasta condenação por peculato em caso de bolsas-atleta no Vale do Itajaí | Juristas
Créditos: BrunoWeltmann / Shutterstock.com

O Juízo da Vara Criminal da comarca de Brusque absolveu réu denunciado pela suposta prática do crime de peculato, em ação penal que apurava irregularidades na concessão e no pagamento de bolsas-atleta e bolsas-técnico no âmbito do programa municipal de incentivo ao esporte, no ano de 2021. A decisão reconheceu que, embora tenham sido constatadas falhas na gestão administrativa, não restou comprovado o elemento subjetivo do tipo penal, consistente no dolo de desvio de recursos públicos.

A investigação teve início a partir de notícia de possíveis irregularidades na execução do programa municipal. No curso das apurações, foram identificadas inconsistências administrativas, como preenchimento incompleto de formulários, ausência de documentação obrigatória, pagamentos realizados fora dos critérios legais e registros administrativos divergentes. Em razão desses fatos, o Município instaurou Tomada de Contas Especial, procedimento destinado à apuração de responsabilidades e eventual dano ao erário.

O relatório da Tomada de Contas confirmou a existência de irregularidades, incluindo repasses efetuados antes da publicação e homologação dos editais, pagamentos em duplicidade, concessão de bolsas a beneficiários não inscritos e divergências nos valores pagos. Todavia, a prova produzida em juízo, aliada aos depoimentos colhidos, revelou cenário marcado por desorganização administrativa, deficiência estrutural e ausência de conhecimento técnico adequado, sem indícios de apropriação, desvio de recursos ou obtenção de vantagem ilícita pelo então diretor-geral da Fundação Municipal de Esportes ou por terceiros.

A sentença também ressaltou que os mesmos fatos foram objeto de análise em ação de improbidade administrativa, na qual igualmente se concluiu pela inexistência de dolo. Naquela esfera, restou reconhecido que as irregularidades decorreram de falhas administrativas, não se caracterizando conduta dolosa. Ademais, não houve comprovação de que os beneficiários das bolsas tenham deixado de prestar as contrapartidas previstas, ainda que alguns pagamentos tenham ocorrido em desconformidade com as normas aplicáveis.

Diante desse conjunto probatório, o juízo entendeu inexistir prova suficiente para a condenação criminal, que exige certeza quanto à autoria e ao elemento subjetivo do delito. Assim, a denúncia foi julgada improcedente, com a absolvição do réu, nos termos do artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal.

Autos nº 5005853-86.2024.8.24.0011/SC

(Com informações do TJ-SC)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo