Banco é condenado a indenizar mulher trans por não atualizar cadastro após mudança de nome

Data:

Lei proíbe desigualdade salarial em Nova York
Créditso: Olivier Le Moal | iStock

A 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal condenou o Banco Inter S.A. ao pagamento de indenização por danos morais a uma cliente transexual, em razão da falha na atualização de seu cadastro após a retificação de nome e gênero no registro civil. Mesmo após diversas solicitações formais, o banco manteve o nome anterior da cliente em seus sistemas, cartões e comprovantes de compras.

A autora relatou que realizou a retificação de nome e gênero em 2022 e, logo depois, pediu a atualização de seus dados cadastrais em todas as plataformas da instituição — incluindo aplicativo, cartões, correspondências e registros financeiros. Apesar de ter encaminhado toda a documentação necessária, o banco não realizou as alterações e continuou emitindo comprovantes com o nome antigo, o que lhe causou constrangimentos recorrentes, sobretudo em situações de pagamento com cartão.

Em primeira instância, a Justiça determinou apenas que o banco regularizasse o cadastro, mas negou o pedido de indenização. A cliente recorreu, pleiteando R$ 20 mil a título de danos morais.

Ao julgar o recurso, a Turma Recursal reconheceu que o respeito à identidade de gênero e ao nome retificado é uma expressão direta dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição. A relatora destacou que o uso do “nome morto” por instituição financeira viola a dignidade da pessoa humana e representa lesão aos direitos da personalidade.

O colegiado entendeu que a conduta do banco ultrapassou os meros aborrecimentos cotidianos, configurando efetivo abalo psicológico. Para fixar a indenização, foram considerados os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, bem como a ausência de exposição pública do antigo nome, já que as notificações eram endereçadas apenas à própria cliente.

Dessa forma, o valor da compensação moral foi fixado em R$ 2 mil, com correção monetária a partir do arbitramento e juros de mora desde a citação.

A decisão foi unânime.

(Com informações do TJDFT)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

CNJ avalia tornar obrigatório resumo estruturado em petições e recursos em todo o país

O CNJ avalia criar uma regra nacional para exigir resumos estruturados em petições iniciais e recursos, contendo informações como fatos, pedidos, decisões questionadas e fundamentos legais. A proposta busca uniformizar procedimentos e facilitar a utilização de ferramentas de inteligência artificial no Judiciário, mas também levanta discussões sobre formalismo processual, direito de acesso à Justiça e a necessidade de supervisão humana no uso da tecnologia.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo