CCJ da Câmara aprova admissibilidade de PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

Data:

CCJ da Câmara aprova admissibilidade de PEC que reduz maioridade penal para 16 anos | Juristas

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O parecer favorável foi aprovado por 44 votos a 18.

A votação representa apenas a primeira etapa da tramitação da proposta na Câmara. O texto ainda deverá ser analisado por uma comissão especial e, posteriormente, pelo Plenário da Casa, onde precisará ser aprovado em dois turnos de votação.

A proposta principal, identificada como PEC 32/2015, foi apresentada pelo ex-deputado Gonzaga Patriota (PE). Em sua versão original, o texto previa não apenas a redução da maioridade penal, mas também a antecipação da maioridade civil para 16 anos, permitindo aos adolescentes exercer direitos como celebrar contratos, obter carteira de habilitação, casar sem restrições aplicáveis aos menores e participar mais amplamente da vida política.

No entanto, o relator da matéria na CCJ, deputado Coronel Assis (PL-MT), suprimiu os dispositivos relacionados aos direitos civis, mantendo apenas a alteração referente à responsabilização criminal de adolescentes a partir dos 16 anos.

Segundo o parlamentar, a mudança teve como objetivo restringir a proposta a um único tema, evitando questionamentos jurídicos decorrentes da inclusão de matérias distintas em uma mesma emenda constitucional.

Além da PEC principal, o parecer também considerou admissíveis duas propostas apensadas. Uma delas prevê a redução da maioridade penal apenas em situações excepcionais, como crimes hediondos ou praticados com extrema violência, mediante avaliação técnica individual. Outra propõe a responsabilização criminal de adolescentes a partir dos 16 anos para qualquer tipo de crime e estabelece hipóteses específicas de responsabilização para jovens entre 12 e 16 anos em delitos graves.

Durante os debates, parlamentares favoráveis à medida defenderam que a alteração atende a uma demanda da sociedade por maior rigor no combate à criminalidade e à participação de adolescentes em organizações criminosas.

Já os opositores argumentaram que a mudança não enfrenta as causas estruturais da violência e apontaram dados segundo os quais apenas uma parcela reduzida dos atos infracionais praticados por adolescentes está relacionada a homicídios. Também foram levantadas críticas à proposta de equiparar adolescentes a adultos apenas na esfera penal, mantendo a menoridade nas demais áreas do Direito.

Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a aplicação de medidas socioeducativas para jovens entre 12 e 18 anos que pratiquem atos infracionais. Entre as medidas estão advertência, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação, esta última destinada aos casos mais graves e limitada a três anos.

A discussão sobre a redução da maioridade penal é um dos temas mais recorrentes no Congresso Nacional e volta ao centro do debate legislativo após a aprovação da admissibilidade da proposta pela CCJ.

(Com informações da Agência Câmara de Notícias por Paula Bittar)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo