Comissão da Mulher aprova projeto que impede vítimas de violência de pagar pensão ao agressor

Data:

sinal de pare feito por mulher
Créditos: iweta0077 | iStock

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que proíbe que vítimas de violência doméstica ou familiar sejam obrigadas a pagar pensão alimentícia de qualquer natureza a seus agressores.

O texto aprovado é o substitutivo da deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) ao Projeto de Lei 821/25, de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP).

Proteção contra a revitimização

Ao justificar o parecer, Professora Luciene destacou que a proposta combate a revitimização e a perpetuação da violência contra a mulher, ao impedir que ela arque financeiramente com o sustento do agressor.

“Nenhuma mulher deve ser compelida a sustentar financeiramente o seu agressor”, afirmou a parlamentar. “Exigir que uma mulher mantenha aquele que a violentou aprofunda os danos psicológicos e materiais sofridos e reforça a ideia de que o agressor merece amparo, enquanto a vítima suporta o ônus da violência.”

A relatora ressaltou que o Código Civil já prevê a perda do direito a alimentos em razão da conduta do alimentando, o que fundamenta a inclusão da nova regra.

Alterações propostas

O texto aprovado modifica duas legislações:

  • Código Civil – inclui artigo que veda, em qualquer hipótese, a fixação de alimentos (inclusive compensatórios) em favor do agressor, quando a obrigação recair sobre a vítima de violência doméstica ou familiar. Caso a agressão ocorra após a fixação definitiva da pensão, a vítima poderá pedir revisão imediata do pagamento, com tramitação prioritária;
  • Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) – inclui como medida protetiva de urgência a suspensão da obrigação alimentar provisória devida pela vítima ao agressor. Essa suspensão deverá ser comunicada ao juízo responsável pela fixação dos alimentos, podendo ser determinada de forma imediata quando ambos os processos tramitarem no mesmo juízo.

Evitar conflitos judiciais

O projeto original alterava apenas a Lei Maria da Penha, mas a relatora avaliou que essa abordagem poderia gerar disputas de competência e insegurança jurídica. Ao incluir a regra também no Código Civil, segundo Luciene, a proibição fica mais clara e efetiva.

Tramitação

A proposta segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo. Se aprovada, seguirá para o Senado.

(Com informações da Agência Câmara de Notícias)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Primeiros processos sob nova sistemática da relevância da questão federal serão analisados pelo STJ

O STJ realizará, entre 30 de setembro e 6 de outubro, as primeiras sessões virtuais para análise de processos submetidos à nova sistemática da relevância da questão federal. As três Seções especializadas examinarão controvérsias relacionadas a atividade especial por exposição à eletricidade, honorários advocatícios em cobranças de taxas condominiais e utilização da palavra da vítima em processos envolvendo estupro de vulnerável e assédio sexual. O novo sistema prevê diferentes procedimentos conforme o reconhecimento ou não da relevância e poderá resultar na formação de precedentes qualificados.

Banco Central amplia de 30 para 80 dias prazo para contestar devoluções do Pix pelo MED

O Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestação de devoluções realizadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix quando o recebedor suspeitar que o mecanismo foi acionado de forma fraudulenta. A mudança entrou em vigor em 1º de setembro e beneficia especialmente comerciantes e prestadores de serviços que podem sofrer com falsas alegações de fraude após receberem pagamentos. O prazo para a vítima de um golpe solicitar o MED permanece em até 80 dias após a transferência original.

Cristiano Zanin é reconduzido ao cargo de ministro substituto do TSE por mais dois anos

O ministro Cristiano Zanin, do STF, foi reconduzido para mais dois anos no cargo de ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele integra a composição da corte eleitoral desde agosto de 2024. O TSE é formado por sete ministros titulares e sete substitutos, com representação do STF, do STJ e da advocacia. O novo mandato de Zanin terá duração de dois anos, conforme as regras aplicáveis aos ministros indicados pelo Supremo.

STJ aplica multa por litigância de má-fé após identificar comando oculto para manipular sistema de IA

A Segunda Turma do STJ aplicou multa de 10% sobre o valor da causa por litigância de má-fé após identificar um prompt injection oculto em uma petição de recurso especial assinada por um procurador municipal. O comando buscava influenciar sistemas de inteligência artificial do tribunal para favorecer o pedido apresentado no processo. O STJ considerou a conduta grave e determinou a comunicação do caso à OAB, ao MPF, à Polícia Federal e ao município. O relator destacou que advogados são responsáveis pelo conteúdo das peças que assinam e protocolam, devendo garantir sua autenticidade e regularidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo