Disputa entre farmacêuticas sobre medicamento à base de semaglutida segue sem suspensão de vendas

Data:

aplicação de injeção benzetacil
Créditos: Davizro / iStock

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de tutela de urgência apresentado pela farmacêutica Novo Nordisk em ação ajuizada contra a EMS, permitindo, por ora, a continuidade da comercialização do medicamento Ozivy e das campanhas de divulgação relacionadas ao produto.

A decisão foi proferida pela juíza Priscila da Ponte, da 1ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, que entendeu não estarem presentes os requisitos legais para a concessão da medida liminar.

A Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos Ozempic e Wegovy, sustenta que a EMS teria praticado concorrência desleal ao lançar o Ozivy, medicamento à base de semaglutida destinado ao tratamento do diabetes tipo 2.

Empresa alegou concorrência desleal e risco de confusão

Na ação, a farmacêutica requereu a suspensão imediata da comercialização do Ozivy, o recolhimento das unidades já distribuídas ao mercado e a interrupção de todas as ações publicitárias relacionadas ao medicamento.

A empresa argumentou que a identidade visual e outros elementos utilizados pela EMS poderiam gerar confusão entre consumidores, caracterizando violação ao chamado trade dress — conjunto de características visuais capazes de identificar e diferenciar produtos ou serviços no mercado.

Juíza afasta concessão de tutela de urgência

Ao analisar o pedido, a magistrada concluiu que as alegações apresentadas envolvem questões técnicas e jurídicas que exigem instrução probatória mais aprofundada.

Segundo a decisão, a apuração de eventual concorrência desleal, da existência de violação ao trade dress e do risco de confusão entre os consumidores depende da produção de provas e da realização de perícia técnica, o que impede o deferimento da tutela de urgência neste momento processual.

Com isso, o Ozivy permanecerá disponível no mercado até o julgamento do mérito da ação.

Disputa ocorre após encerramento da patente

O caso insere-se no cenário de crescente concorrência no mercado de medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente conhecido também por sua utilização no controle da obesidade.

O Ozivy possui registro concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento do diabetes tipo 2.

Na defesa da EMS, os advogados sustentaram que a marca do medicamento foi regularmente registrada perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e a Anvisa.

Segundo a defesa, o produto é comercializado em ambiente regulado, mediante apresentação de prescrição médica e retenção da receita pelas farmácias, circunstâncias que reduziriam o risco de confusão entre os consumidores.

Os representantes da empresa também argumentaram que o ingresso de novos concorrentes no mercado decorre do encerramento da proteção patentária, não havendo prática de concorrência parasitária.

A ação continuará tramitando na Justiça, oportunidade em que serão produzidas as provas necessárias para o exame definitivo das alegações formuladas pelas partes.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Amanhã: Portal Juristas realiza o II Encontro da International Cyberlaw Conference sobre os desafios do Direito Digital

O II Encontro da International Cyberlaw Conference acontece amanhã, 30 de julho de 2026, reunindo especialistas brasileiros e estrangeiros para debater os principais desafios jurídicos da transformação digital. O congresso virtual, promovido pelo Portal Juristas, abordará temas como inteligência artificial, proteção de dados, crimes cibernéticos, responsabilidade das plataformas e os impactos da tecnologia no Direito.

União Europeia discute regras para acesso gradual de crianças e adolescentes às redes sociais

A União Europeia discute a criação de regras para permitir o acesso gradual de crianças e adolescentes às redes sociais, conforme a faixa etária. A proposta prevê restrições ao uso de telas na primeira infância, supervisão de adultos para crianças e acesso progressivo às plataformas digitais para adolescentes, fortalecendo a proteção de menores no ambiente virtual e podendo influenciar futuras iniciativas legislativas em outros países.

Erro de inteligência artificial em transcrição de audiência leva Justiça do Trabalho a corrigir sentença

A Justiça do Trabalho de Alagoas corrigiu uma sentença após identificar erro em uma transcrição de audiência produzida por inteligência artificial. A falha alterou os valores informados pelo trabalhador sobre premiações prometidas pela empresa e resultou em cálculo inferior ao efetivamente devido. Ao revisar a gravação audiovisual, o magistrado reajustou a condenação e destacou que a degravação automatizada tem caráter apenas auxiliar, prevalecendo sempre a prova original registrada em vídeo.

Juízes chilenos pedem restrições ao uso de inteligência artificial após protocolo massivo de petições judiciais

O Comitê de Juízes Cíveis de Santiago pediu à Suprema Corte do Chile a adoção de medidas urgentes para restringir o uso de inteligência artificial no protocolo de petições judiciais após um advogado apresentar mais de 38 mil documentos em poucos dias. Os magistrados apontam possível abuso processual, sobrecarga dos tribunais e defendem a criação de regras específicas para disciplinar o uso de IA no sistema judicial.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo