Polícia Civil investiga divulgação de lista que classificava estudantes por critérios sexuais em plataforma on-line

Data:

person holding smartphone
Photo by Rodion Kutsaiev on Unsplash

A Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou investigação para apurar a criação e divulgação de uma lista elaborada por alunos do Colégio Cruzeiro, unidade de Jacarepaguá, que classificava colegas de escola, principalmente alunas, com base em categorias de conotação sexual.

O conteúdo foi publicado em uma plataforma on-line de criação de rankings (“tier list”) e continha classificações depreciativas e ofensivas relacionadas à aparência e à sexualidade das estudantes.

Entre as categorias utilizadas estavam expressões como “Goat” (sigla em inglês para Greatest of All Time), “Comeria no lucro”, “Bêbado vai”, “Me arrependi depois” e “Nem olharia”.

Após tomar conhecimento do caso, as denúncias foram encaminhadas à Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), responsável pela apuração dos fatos.

Escola registrou ocorrência e solicitou remoção do conteúdo

Em nota oficial, o Colégio Cruzeiro informou que registrou boletim de ocorrência e notificou a plataforma responsável pela hospedagem da lista, solicitando a retirada imediata do conteúdo, medida que já foi cumprida.

A instituição também comunicou os responsáveis pelos estudantes envolvidos e afirmou estar prestando apoio às alunas e às respectivas famílias.

Segundo a escola, o episódio contraria os princípios institucionais de respeito, ética e proteção aos estudantes.

Colégio repudia exposição de alunos

No posicionamento divulgado, o Colégio Cruzeiro destacou que repudia qualquer conduta que exponha ou constranja seus alunos e reafirmou seu compromisso com a formação ética e o desenvolvimento integral dos estudantes.

A instituição ressaltou ainda que sua atuação inclui a promoção de valores relacionados ao respeito, à responsabilidade e à convivência saudável no ambiente escolar.

Caso pode envolver diferentes responsabilizações

A investigação deverá apurar a autoria da publicação, as circunstâncias em que a lista foi criada e eventual participação de outros estudantes na divulgação do conteúdo.

Além da possível responsabilização na esfera infracional, caso os envolvidos sejam menores de idade, o episódio também poderá ensejar medidas de proteção às vítimas e eventual responsabilização civil por danos morais decorrentes da exposição indevida e do constrangimento causado às estudantes.

O caso reacende o debate sobre os limites do comportamento de adolescentes nas redes digitais, a prevenção ao cyberbullying e a importância da atuação conjunta entre famílias, escolas e autoridades na proteção de crianças e adolescentes.

(Com informações do G1 por Henrique Coelho)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-SP regulamenta uso de IA por magistrados e amplia utilização do eproc

O TJ-SP publicou atos que regulamentam a prestação de informações por magistrados sobre o uso de inteligência artificial, ampliam a utilização do sistema eproc em processos envolvendo Fazenda Pública e modificam projeto de conciliação e mediação para conflitos relacionados a contratos bancários.

Pentobarbital: como age a droga usada na execução frustrada de Christa Pike

Christa Gail Pike, condenada à morte pelo assassinato de...

Família ajuíza ações contra governo dos EUA e agente do ICE por morte de cidadã

A família de Renee Good ajuizou duas ações na Justiça federal dos Estados Unidos em busca de responsabilização pela morte da mulher, baleada por um agente do ICE em Minneapolis. Uma ação é dirigida contra o governo norte-americano e envolve pedido de reparação por morte indevida e negligência. A outra questiona a atuação do agente e de autoridades federais, com alegações de uso excessivo da força e violação de direitos civis.

TJ-BA identifica tentativa de manipulação de IA com comandos ocultos em habeas corpus

O TJ-BA identificou comandos ocultos inseridos em documento apresentado em um habeas corpus, em uma tentativa de direcionar ferramentas de inteligência artificial da Corte para favorecer o pedido defensivo. O colegiado determinou o encaminhamento do caso à OAB-MS e ao Ministério Público para as providências cabíveis e manteve a prisão preventiva do investigado.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo