
Criminosos têm se passado por advogados para aplicar golpes em clientes no Rio de Janeiro, utilizando fotos reais de profissionais e informações verdadeiras de processos judiciais para tornar a fraude mais convincente. As abordagens ocorrem por aplicativos de mensagens e até videochamadas, nas quais prometem a liberação de valores judiciais e induzem as vítimas a realizar transferências bancárias.
De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro, foram registradas 1.649 denúncias desse tipo de golpe entre janeiro de 2025 e 6 de abril de 2026, evidenciando o crescimento da prática.
Em um dos casos, a vítima acreditou estar em contato com sua advogada ao receber uma mensagem informando a liberação de uma indenização. Os golpistas enviaram documentos falsos, como um suposto alvará, e chegaram a mencionar o Superior Tribunal de Justiça — inclusive com erro na grafia do nome — para dar aparência de legitimidade.
Durante uma videochamada, os criminosos orientaram a abertura de conta e a realização de transferências sob a promessa de liberação do valor. O prejuízo ultrapassou R$ 37 mil, sendo percebido apenas após o bloqueio de uma das operações pelo banco.
Especialistas explicam que os golpistas acessam dados públicos disponíveis em processos judiciais, obtendo informações pessoais de clientes e advogados. Com isso, conseguem criar perfis falsos e simular comunicações legítimas, aumentando as chances de enganar as vítimas.
Nem todos os casos resultam em prejuízo. Um assistente jurídico conseguiu evitar o golpe ao desconfiar das inconsistências na conversa e sugerir um encontro presencial. Diante disso, os criminosos interromperam o contato.
A presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basílio, alerta que a principal forma de prevenção é desconfiar de contatos inesperados, especialmente quando envolvem pedidos de dinheiro.
Entre as orientações estão a verificação direta com o advogado ou escritório, o cuidado com solicitações urgentes de pagamento e a preferência por canais oficiais de comunicação.
A Polícia Civil investiga os casos e analisa os documentos apresentados pelas vítimas.
(Com informações do G1 por Anna Beatriz Lourenço e Dejair Neto)
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