Julgamento sobre prisão em 2ª instância será julgado no STF em abril

Data:

Julgamento está marcado para 10 de abril.

julgamento
Créditos: Artisteer | iStock

O presidente do STF, Dias Toffoli, divulgou nesta segunda-feira (17/12) parte da previsão da pauta de julgamentos do primeiro semestre de 2019. Dentre eles, está a autorização para execução provisória da pena após decisão em segunda instância (ADCs 43 e 44), que deverá ocorrer em 10 de abril.

A discussão das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) é em torno da constitucionalidade do artigo 283 do CPP, que estabelece: “Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva”.

O tema é polêmico, vem dividindo ministros, advogados, juízes e integrantes do Ministério Público. Um eventual desempate ficará a cargo de Toffoli.

O plenário do STF está bem dividido. A ministra Rosa Weber, por exemplo, é contrária à prisão em 2ª instância, mas vem se dobrando ao princípio da colegialidade e seguido o atual entendimento do plenário, que é pela possibilidade. Foi esse o argumento utilizado por ela ao negar o habeas corpus preventivo ao ex-presidente Lula.

No STF, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Luiz Fux e Cármen Lúcia votam pela 2ª instância. Do outro lado, estão Marco Aurélio, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. Gilmar e Toffoli estão no meio do caminho.

O resultado do novo julgamento do STF sobre a execução provisória da pena não terá mais efeito para a condenação de Lula, que já está avançada no STJ. A situação do ex-presidente só seria revisada com o julgamento de um recurso contra a condenação determinada pelo TRF-4, após encerramento do caso no STJ, ou com os pedidos de liberdade pendentes na Corte, que podem ser retomados em 2018.

Se o STF seguir a própria jurisprudência, será permitido o cumprimento da pena após condenação em segundo grau. Foram 3 julgamentos ao longo de 2016 que sedimentaram essa posição. Nestes casos, afirmaram que o preceito constitucional de que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” não impede o início da execução da pena após condenação em segunda instância.

O entendimento foi inclusive formalizado em jurisprudência, ocasião em que os ministros aplicaram a repercussão geral, servindo de orientação para todas as instâncias. (Com informações do Jota.Info.)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo