Justiça absolve ex-procurador-geral do estado em caso da Operação Calvário

Data:

Certidão de Nascimento
Créditos: belchonock
/ Depositphotos

A Justiça absolveu o ex-procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro, em um dos processos relacionados à Operação Calvário. A denúncia, à época, envolvia Carneiro e a ex-servidora da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Maria Laura Carneiro. Maria Laura foi condenada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A acusação do Ministério Público apontava que Maria Laura teria recebido remuneração sem efetivamente desempenhar suas funções como assessora especial na PGE. Durante o período de julho de 2016 a abril de 2019, ela teria recebido aproximadamente R$ 112.166,66 sem comparecer ao trabalho.

Segundo o MP, a ausência da servidora no local de trabalho teria sido possibilitada pela conduta omissiva imprópria de Gilberto Carneiro, então procurador-geral do Estado, que supostamente a mantinha à disposição dos interesses de uma organização criminosa.

A denúncia, feita em julho de 2019, incluía indícios de apropriação indevida, desvio de recursos públicos, peculato e lavagem de dinheiro. No entanto, a juíza Aylzia Fabiana Borges Carrilho, da 5ª Vara Criminal de João Pessoa, destacou na decisão que não há provas de que Gilberto Carneiro se apropriava dos valores recebidos por Maria Laura, afastando a possibilidade de “rachadinha”.

A absolvição de Carneiro nesse processo representa um desdobramento no complexo caso da Operação Calvário, que investiga supostos desvios de recursos na área da saúde na Paraíba.

“Não há elementos que comprovem que as verbas remuneratórias pagas em favor de Maria Laura foram destinadas a qualquer outra pessoa, além da própria denunciada. A acusação é a de que a referida servidora não desempenhava, efetivamente, as funções para as quais foi nomeada”. afirmou a magistrada.

“Dessa forma, a autoria não foi provada pela impossibilidade de atribuir o crime de peculato-desvio ao acusado, pois sequer praticou a divisão de dividendos ou mantinha contato prévio, buscando executar a aludida prática criminosa”, diz a decisão.

Ex servidora

Maria Laura foi condenada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença levou em conta sua colaboração na investigação, documentos e depoimentos de colaboradores. Lotada na Procuradoria, Maria Laura admitiu em colaboração que trabalhava para um grupo político, recebendo propina para financiar campanhas e manter desvios de verbas públicas. A decisão ressalta a materialidade firme, indicando uma extensa atividade criminosa e organizada no serviço público do Estado da Paraíba, da qual ela participou como intermediária no recebimento de valores ilícitos.

No concernente à autoria há elementos robustos que comprovam a efetiva prática de corrupção passiva pela acusada, estas calcadas no Acordo de Colaboração Premida firmado entre a própria acusada e o Ministério Público, a clarividência das alegações conditas no seu interrogatório, a prova documental, demonstrando o enriquecimento ilícito, por meio da evolução patrimonial”, explica.

Na Colaboração Premiada, segundo a decisão, Maria Laura, confessou a aquisição de bens, como veículos, propriedades e imóveis, com recursos obtidos através do recebimento de propinas, advindas da prática de corrupção passiva.

Click e confira a decisão.

Com informações do Jornal da Paraíba.


Você sabia que o Portal Juristas está no Facebook, Twitter, Instagram, Telegram, WhatsApp, Google News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Revista Juristas amplia sua presença no cenário jurídico nacional e valoriza a produção intelectual brasileira

A Revista Juristas vem ampliando sua presença no cenário jurídico brasileiro ao promover a divulgação da produção intelectual de profissionais que contribuem para o desenvolvimento do Direito, o fortalecimento das instituições e o aperfeiçoamento do sistema de Justiça. Com 11 edições publicadas até outubro de 2026, a revista reúne entrevistas, artigos e reflexões sobre temas que influenciam diretamente a sociedade brasileira.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo