Justiça condena empresa de ônibus por propaganda enganosa sobre acessibilidade

Data:

Justiça determina que Município de Maceió garanta acessibilidade para deficientes
Créditos: Mariusz Szczygiel / Shutterstock.com

A 13ª Vara Cível de Brasília condenou a empresa Transportadora Turística Suzano Ltda. a indenizar uma passageira cadeirante em R$ 15 mil por danos morais, devido à falsa promessa de acessibilidade em um de seus ônibus.

A passageira comprou passagem no trecho Belo Horizonte–Brasília, após verificar no site da empresa a informação de que “nossos ônibus estão preparados para receber pessoas com necessidades especiais”. No momento do embarque, no entanto, percebeu que o veículo, embora exibisse o selo internacional de acessibilidade, não possuía rampa, elevador nem cadeira de transbordo. A empresa informou que ela deveria ser carregada manualmente para embarcar.

Durante a viagem, que durou cerca de 12 horas e 35 minutos, com três paradas, a passageira precisou ser carregada por terceiros para entrar e sair do ônibus. Sua cadeira de rodas foi despachada no bagageiro, impossibilitando sua locomoção independente. A situação se agravou quando uma funcionária da empresa tentou, de forma agressiva, tomar seu celular enquanto ela filmava os acontecimentos.

Em sua defesa, a transportadora alegou que o caso foi um episódio isolado, que ofereceu alternativa de embarque em outro veículo e que a cadeira de transbordo deveria ser fornecida pela rodoviária. Também afirmou que a passageira contribuiu para o conflito ao fazer gravações sem autorização e que o veículo atendia à legislação vigente.

A juíza responsável rejeitou os argumentos da defesa e considerou a situação como publicidade enganosa, destacando que a empresa descumpriu seu dever legal de garantir a acessibilidade. Na sentença, afirmou:

“A falha na prestação do serviço, ao impedir que a autora exercesse sua locomoção de forma autônoma durante o transporte contratado, configura violação direta ao seu direito à acessibilidade.”

A magistrada também reconheceu que a gravação feita pela passageira foi legítima, servindo como prova da falha no serviço, e classificou a tentativa de tomar seu celular como uma violação aos direitos da personalidade.

A decisão ainda cabe recurso.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo