Justiça confirma responsabilidade de advogado e familiar por saque indevido em ação previdenciária

Data:

Barômetro Global da Corrupção
Créditos: Gabriel Ramos | iStock

A 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a sentença da 3ª Vara Cível de Araçatuba (SP) que condenou, de forma solidária, um advogado e a sobrinha de uma pessoa incapaz ao ressarcimento de valores desviados de uma ação previdenciária, além do pagamento de indenização por danos morais. A condenação soma aproximadamente R$ 81 mil de restituição e R$ 10 mil a título de reparação moral.

Segundo os autos, a vítima foi levada a uma agência bancária pela mãe e pela sobrinha, que não possuíam sua curatela, para realizar o saque integral de valores obtidos em ação judicial previdenciária. Parte da quantia foi transferida ao advogado, sob alegação de honorários, sem que houvesse contrato formal estabelecendo a remuneração. O restante foi direcionado à conta da sobrinha.

No recurso, o advogado sustentou que não teria participado de qualquer irregularidade. No entanto, o relator, desembargador Enio Zuliani, entendeu que sua atuação foi decisiva para a consumação da fraude.

Segundo o magistrado, o profissional tinha ciência da ilicitude do saque e, ainda assim, não adotou medidas para impedi-lo, o que caracteriza conduta ilícita. O relator destacou também a ausência de contrato formal de honorários, especialmente diante da condição de incapacidade da vítima, o que agrava a irregularidade.

Em seu voto, o desembargador afirmou que o recebimento de valores oriundos do saque indevido, sem respaldo contratual, demonstra participação ou conivência na prática ilícita. Para ele, a situação revelou a convergência de “vontades maliciosas e ilícitas” entre os envolvidos.

O colegiado concluiu que a sentença estava correta ao reconhecer a responsabilidade solidária pelo prejuízo causado, ressaltando que a conduta violou deveres profissionais e jurídicos, especialmente no contexto de proteção de pessoa incapaz.

A decisão foi unânime.

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo