Justiça mantém Google e Facebook em ação sobre uso não autorizado de músicas de artistas

Data:

entrevista em rádio
Créditos: Davizro | iStock

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu manter Google e Facebook no processo movido por Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan e herdeiros de outros artistas contra a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL-SC) e a Livraria Campagnolo. A ação discute o uso não autorizado de músicas em uma aula paga do curso “Clube Antifeminista”, divulgada nas plataformas digitais.

A decisão foi proferida pela juíza Maria Izabel Gomes Santanna de Araujo, da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que rejeitou o pedido das plataformas para serem excluídas do processo.

Google e Facebook alegaram que não poderiam ser responsabilizados pelo conteúdo publicado por terceiros. A magistrada, porém, considerou que as empresas deveriam permanecer como partes na ação, destacando que administravam os canais utilizados para a divulgação do conteúdo e chegaram a cumprir determinação judicial para retirar o vídeo do ar.

O processo envolve a utilização de músicas como “Mulheres de Atenas” e “Flor de Lis” em uma apresentação intitulada “Aula Espetáculo: MPB, História e Feminismo”. Segundo os autores da ação, as obras foram utilizadas sem a devida autorização e posteriormente inseridas em uma atividade paga, com finalidade comercial e conteúdo diferente daquele informado quando teria sido solicitada a licença para utilização das canções.

De acordo com os artistas e demais autores, a apresentação fazia parte do curso “Clube Antifeminista” e foi disponibilizada no YouTube e no Instagram. Na ação, eles pedem indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil para cada autor, além da reparação por eventuais danos materiais decorrentes da utilização das obras.

Ao analisar o processo, a juíza também encerrou a fase de produção de provas. O pedido das rés para que os nove artistas envolvidos no processo e representantes de editoras musicais fossem ouvidos foi rejeitado. Para a magistrada, a medida teria caráter protelatório.

Com o encerramento da fase de instrução, as partes terão prazo de 15 dias para apresentar suas alegações finais. Após essa etapa, o processo estará pronto para ser julgado.

A permanência das plataformas no processo não representa, por si só, uma decisão definitiva sobre eventual responsabilidade do Google ou do Facebook pelos danos alegados. A questão deverá ser analisada no julgamento do mérito da ação.

(Com informações do O Globo por Ancelmo Gois)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Amazon reedita episódio de “Tremembé” após ações por suposto uso indevido de imagem

A Amazon reeditou o quinto episódio da série Tremembé após pelo menos três pessoas ajuizarem ações contra a empresa por suposto uso não autorizado de imagem. Os autores pedem indenizações de R$ 150 mil e alegam danos morais decorrentes da exposição. Os processos tramitam na Justiça de São Paulo e ainda não tiveram decisão. O caso envolve questões relacionadas ao direito de imagem e à responsabilidade civil.

Egito condena apresentadora de TV e outros 11 réus à pena de morte por tráfico de drogas

A Justiça do Egito condenou a apresentadora Sarah Khalifa e outros 11 réus à pena de morte por suposta participação em um grupo organizado voltado à fabricação e ao tráfico de drogas. O processo também envolve acusações de posse e porte ilegal de armas e munições. A decisão foi proferida após consulta ao grão-mufti e ainda pode ser contestada por meio de recursos.

MPF recomenda revisão das regras sobre uso religioso, espiritual e terapêutico da ayahuasca

O Ministério Público Federal recomendou ao Conad e à Anvisa a revisão das regras relacionadas à ayahuasca no Brasil, especialmente para os usos religioso, espiritual e terapêutico. A proposta prevê grupos de trabalho, consulta a povos indígenas e comunidades tradicionais, revisão do enquadramento jurídico da DMT e criação de parâmetros para produção, circulação e utilização da bebida. Os órgãos terão 30 dias para informar se irão acatar as recomendações.

Morre aos 80 anos Robert Alexy, referência mundial na Teoria do Direito e dos princípios

Morreu aos 80 anos o jurista e filósofo alemão Robert Alexy, um dos principais nomes contemporâneos da Filosofia e da Teoria do Direito. Professor da Universidade de Kiel, tornou-se mundialmente conhecido por seus estudos sobre princípios, direitos fundamentais, proporcionalidade e argumentação jurídica. Sua obra exerceu forte influência sobre a doutrina e a jurisprudência brasileiras, especialmente no Direito Constitucional e em decisões do STF.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo