Justiça nega indenização a ex-repórter que processou a Band por ser associada ao PCC

Data:

cobertura jornalística
Créditos: Mihajlo Maricic | iStock

A Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização por danos morais movido pela ex-repórter Luana Domingos, conhecida como Luana Don, contra a Band. A jornalista alegava ter sido difamada por reportagens exibidas em 2017 no programa Brasil Urgente, então apresentado por José Luiz Datena, que a chamavam de “pombo-correio” do Primeiro Comando da Capital (PCC) por supostamente levar mensagens escondidas nos seios para presos — acusação que ela sempre negou.

A decisão, assinada pelo juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível de São Paulo, foi publicada na terça-feira (21). No processo, Luana pedia R$ 200 mil de indenização, mas o magistrado julgou o pedido improcedente e a condenou ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios de 10% sobre o valor da causa — cerca de R$ 20 mil.

O juiz reconheceu o caráter sensacionalista de parte da cobertura policial, mas entendeu que a emissora não cometeu ato ilícito. Segundo a sentença, a Band “limitou-se a narrar fatos conforme a interpretação das autoridades policiais responsáveis pela investigação, do Ministério Público que apresentou a denúncia e do Judiciário que proferiu a condenação”.

Bezerra citou ainda o artigo 188 do Código Civil, que isenta de responsabilidade quem apenas divulga fatos de interesse público. O magistrado observou que, à época das reportagens, a condenação criminal de Luana estava válida, e que as matérias refletiam a realidade processual daquele momento.

Entenda o caso

Formada em Direito, Luana iniciou sua carreira na televisão em 2012 como repórter do programa SuperPop, da RedeTV!, apresentado por Luciana Gimenez. Em 2016, ela passou a ser investigada pela Polícia Civil de São Paulo após trabalhar brevemente em um escritório de advocacia envolvido em apurações sobre o PCC.

A cobertura do caso ganhou destaque em programas policiais como Brasil Urgente (Band) e Cidade Alerta (Record), que chegaram a se referir à repórter como “a bela do crime”. Luana também chegou a processar a Record e o Google, mas a ação contra a emissora prescreveu e a contra o buscador foi encerrada por impossibilidade técnica de remoção de todos os links da internet.

Segundo o processo, a ex-repórter afirmou ter sofrido graves consequências pessoais e profissionais após a exposição, incluindo um aborto causado por estresse, o adoecimento do pai e o fim da carreira na televisão.

Em revisão criminal, há dois anos, o Tribunal de Justiça de São Paulo absolveu Luana por falta de provas, revertendo a condenação anterior.

Na sentença atual, o juiz Bezerra criticou o impacto social de programas policiais, afirmando que o sensacionalismo “espalha verdadeiro pânico na sociedade e pode enxovalhar a imagem das pessoas”, mas destacou que nem toda cobertura de cunho policial é abusiva.

Luana ainda pode recorrer da decisão. A Band informou que não comentará o caso por se tratar de processo judicial. A ex-repórter não foi localizada pela reportagem.

(Com informações do UOL – Notícias da TV)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo