Moraes mantém condenação de ex-prefeito mineiro por desvio de R$ 106 mil em diárias

Data:

esquema de corrupção
Créditos: Kritchanut | iStock

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou o recurso do ex-prefeito José Humberto Ribeiro, de Santa Rosa da Serra (MG), e manteve sua condenação por desviar R$ 106.473,53 em diárias entre 2017 e 2020. Com a decisão, ficam preservadas a pena de cinco anos e cinco meses de reclusão em regime semiaberto e a inabilitação por cinco anos para o exercício de função pública.

Irregularidades identificadas

O Ministério Público de Minas Gerais apontou três categorias de irregularidades nas diárias recebidas pelo ex-prefeito:

  • 12 viagens sem qualquer comprovação de gastos;
  • 205 deslocamentos em que as despesas comprovadas eram inferiores ao valor recebido;
  • 43 viagens realizadas em fins de semana e feriados, totalizando R$ 30,1 mil, sem justificativa de emergência.

A investigação também destacou a ausência de relatórios obrigatórios em todas as 238 viagens e o recebimento de diárias para deslocamentos curtos a municípios vizinhos, como Campos Altos (38 km), Córrego Danta (70 km) e Bom Despacho (128 km), sem necessidade de pernoite.

Argumentos da defesa

Os advogados sustentaram que as viagens tinham como objetivo buscar recursos estaduais e federais e que o ex-prefeito optava por dirigir para economizar verbas públicas. Alegaram ainda que documentos foram destruídos por chuvas em 2021 e que a falta de comprovação configuraria apenas irregularidade administrativa.

No STF, a defesa alegou violação ao devido processo legal, ausência de perícia independente e incompetência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, já que o mandato do réu havia terminado antes do julgamento.

Fundamentos de Moraes

O ministro negou o recurso por três motivos:

  1. Súmula 283 do STF: o recurso não enfrentou todos os fundamentos do acórdão questionado.
  2. Ausência de demonstração da repercussão geral, requisito indispensável para recursos extraordinários.
  3. Jurisprudência do STF (HC 232.627): a prerrogativa de foro permanece para crimes cometidos durante o mandato, mesmo após o seu término.

Condenação no TJMG

A condenação foi imposta pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que considerou sólidas as provas documentais do desvio. O relator, desembargador Jaubert Carneiro Jaques, rejeitou a alegação de extravio de notas fiscais por chuvas, destacando que seria improvável a perda apenas dos comprovantes de 12 viagens específicas.

O TJMG também observou que a defesa não apresentou qualquer registro formal de extravio de documentos oficiais.

Ribeiro foi condenado com base no artigo 1º, incisos I e XIV, do Decreto-Lei 201/1967, que trata dos crimes de responsabilidade de prefeitos, além da obrigação de reparar os danos causados ao patrimônio público municipal.

(Com informações do site O Fator)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo