Nova lei torna obrigatório o uso de linguagem simples na comunicação dos órgãos públicos

Data:

Médica estrangeira é dispensada de certificação de proficiência em língua portuguesa
Créditos: sergign / Shutterstock.com

Entrou em vigor nesta segunda-feira, 17, a Lei 15.263/25, que institui a Política Nacional de Linguagem Simples em todos os órgãos e entidades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nas esferas federal, estadual, municipal e distrital. A norma foi publicada no Diário Oficial da União.

A partir de agora, toda comunicação destinada ao cidadão — como avisos, formulários, portarias, editais e conteúdos de sites governamentais — deverá ser redigida de forma clara, direta e acessível. O objetivo central é permitir que qualquer pessoa encontre, compreenda e utilize as informações públicas sem depender de intermediários.

A lei se baseia em princípios como foco no cidadão, transparência, participação social e eliminação de barreiras linguísticas. O texto também reforça a necessidade de acessibilidade, recomendando técnicas que atendam pessoas com deficiência.

O que muda

A Administração Pública passa a ter que adotar técnicas específicas de redação, incluindo:

  • frases curtas e em ordem direta;
  • uso de palavras comuns e explicação de termos técnicos quando indispensáveis;
  • apresentação das informações mais relevantes logo no início;
  • evitar estrangeirismos, jargões e formalismos excessivos;
  • testar a compreensão do texto com o público-alvo;
  • garantir acessibilidade linguística e comunicacional.

Quando a comunicação for destinada a comunidades indígenas, sempre que possível deverá ser disponibilizada uma versão do conteúdo na língua dos destinatários.

Diálogo com iniciativas do Judiciário

A nova política se conecta ao movimento já iniciado no Judiciário. Durante sua gestão à frente do STF e do CNJ, o ministro Luís Roberto Barroso lançou o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, que mobilizou tribunais de todo o país a adotarem decisões mais claras e compreensíveis.

O pacto incentiva a eliminação de termos excessivamente técnicos, o uso de linguagem direta em votos e sentenças, versões resumidas de julgamentos e a adoção de recursos de acessibilidade como Libras e audiodescrição. Na ocasião, Barroso defendeu que a Justiça precisava de uma “revolução da brevidade”, pois a linguagem hermética atua como mecanismo de exclusão.

Com a nova lei, o que antes era recomendação passa a ser uma obrigação legal para toda a Administração Pública.

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Trabalho reconhece transfobia e garante rescisão indireta a trabalhadora trans

A Justiça do Trabalho reconheceu que o tratamento reiterado de uma trabalhadora trans pelo gênero masculino, mesmo após reclamações, configurou transfobia e falta grave da empregadora. O TRT-5 manteve a rescisão indireta do contrato e elevou de R$ 10 mil para R$ 30 mil a indenização por danos morais.

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo