PF investiga trend que incentiva violência contra mulheres: “caso ela diga não”

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Lei Maria da Penha
Créditos: lolostock / iStock

A Polícia Federal (PF) abriu investigação para apurar a trend nas redes sociais denominada “caso ela diga não”, que reúne vídeos com apologia à violência contra a vida e integridade de mulheres. O inquérito foi instaurado após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que encaminhou notícia-crime à corporação no domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Os vídeos, publicados no TikTok e já removidos da plataforma, mostravam jovens simulando chutes, socos e facadas contra manequins representando mulheres. As postagens associavam a violência a situações de rejeição afetiva, com frases como “Treinando caso ela diga não”.

O pedido de investigação foi feito pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), vinculada à AGU, que identificou ao menos quatro perfis responsáveis pela divulgação desse tipo de conteúdo. Segundo o órgão, essas publicações prejudicam políticas públicas de proteção às mulheres e comprometem a efetividade das ações estatais de enfrentamento à violência de gênero e promoção da igualdade.

Risco coletivo e contexto digital

A AGU ressaltou que a medida faz parte do Pacto Brasil entre os Três Poderes, firmado em fevereiro de 2026, voltado ao enfrentamento do feminicídio e à proteção digital de mulheres e meninas. Segundo Raphael Ramos, procurador nacional da União de Defesa da Democracia, mesmo sem vítimas individualizadas, a circulação sistemática de conteúdo misógino representa uma ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres e atinge toda a coletividade feminina.

O procurador destacou ainda que os vídeos podem configurar estímulo à prática de crimes previstos no Código Penal, como feminicídio, lesão corporal, ameaça, perseguição, violência psicológica e apologia criminal. Ramos também defendeu o aprimoramento da governança das plataformas digitais, apontando que as medidas atuais ainda são insuficientes.

Conexão com o movimento redpill

Nas redes, a repercussão da trend levou usuários a associar os conteúdos ao movimento redpill, grupos virtuais formados majoritariamente por homens que propagam visões hostis às mulheres, críticas ao feminismo e discursos sobre relações de gênero. O termo redpill vem do filme Matrix, em que tomar a “pílula vermelha” simboliza enxergar uma suposta verdade escondida.

Um caso recente citado neste contexto foi o de Vitor Hugo Oliveira Simonin, investigado por estupro coletivo no Rio de Janeiro, que se apresentou à polícia usando uma camiseta com a frase “Regret nothing”, associada pelo público ao discurso propagado em comunidades redpill, especialmente pelo influenciador britânico Andrew Tate.

(Com informações do Migalhas)

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