Presidente do STF propõe pacto internacional para combater crime organizado e violações de direitos na Amazônia

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Crime de estelionato
Créditos: Zolnierek / iStock

Durante a COP30, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, defendeu a construção de um pacto internacional entre cortes constitucionais para enfrentar o crime organizado na Amazônia e suas consequências para os direitos humanos e para a crise climática. O discurso foi apresentado nesta quinta-feira (13), em Belém (PA), no encerramento do “Dia da Justiça, do Clima e dos Direitos Humanos”.

Fachin alertou que a criminalidade na região impulsiona o desmatamento, a caça e a pesca ilegais, fragiliza a fiscalização, estimula a corrupção e alimenta a impunidade, resultando na expansão de facções criminosas. Para ele, a resposta deve ser articulada entre países, sobretudo latino-americanos. “A Amazônia não resistirá se a criminalidade se consolidar de vez na região”, afirmou.

O ministro destacou que a macrocriminalidade amazônica tem se tornado um dos principais fatores de violação de direitos humanos, ao destruir recursos naturais e comprometer serviços essenciais para os povos da floresta. Ele defendeu mecanismos conjuntos de responsabilização de agentes públicos e privados diante desse cenário. “Se as violações de direitos não conhecem fronteiras, as boas ideias e o compromisso com a vida também não”, afirmou.

O evento contou com a participação de representantes de cortes constitucionais de diversos países, além das presidentes do TSE, ministra Cármen Lúcia, e do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, e dos presidentes do STJ, ministro Herman Benjamin, e do TST, ministro Luiz Phillippe Vieira de Mello Filho.

Carta de Belém

Fachin também apresentou a minuta da “Carta de Belém sobre Justiça Climática”, que reúne princípios para orientar a atuação do Judiciário diante da crise ambiental. Entre as diretrizes previstas estão:

  • proteção do sistema climático como bem comum;
  • responsabilização objetiva de Estados e agentes privados;
  • aplicação do princípio da precaução.

O documento seguirá em debate durante os próximos meses e deverá ser formalizado como compromisso multilateral das cortes constitucionais em 5 de junho de 2026, Dia Mundial do Meio Ambiente.

(Com informações do STF)

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