Professora receberá indenização após ter nome retirado de trabalhos acadêmicos

Data:

reitor
Créditos: Pannawat | iStock

A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) manteve, por unanimidade, a condenação de uma universidade a indenizar uma professora que teve seu nome retirado dos trabalhos acadêmicos que orientou. A decisão confirma a sentença da 2ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, fixando R$ 20 mil de indenização por danos morais, além de valores relativos a férias em dobro e horas extras, totalizando aproximadamente R$ 100 mil.

O caso

Os trabalhos de especialização, mestrado e doutorado, bem como as publicações acadêmicas, foram concluídos após a demissão sem justa causa da professora. A instituição orientou os alunos a retirar o nome da docente das publicações, apagando, segundo a magistrada, sua contribuição intelectual e científica.

A juíza Carolina Cauduro Dias de Paiva destacou que a orientação acadêmica faz parte da identidade profissional e acadêmica, e que o impedimento de registrar tais orientações em plataformas oficiais, como o Currículo Lattes, prejudica a visibilidade institucional, a qualificação como pesquisadora e o acesso a projetos e editais futuros.

Entendimento do TRT-RS

O relator do acórdão, desembargador Raul Zoratto Sanvicente, ressaltou a desvalorização simbólica do trabalho docente. Segundo ele, “foram devidamente demonstrados os fatos constrangedores passíveis de direito à indenização por dano moral, pois a prova indica claramente a determinação da universidade de retirar o nome da professora das teses e trabalhos, mesmo tendo ela orientado todo o trabalho”.

Cabe recurso da sentença.

(Com informações do TRT-RS por Sâmia Garcia)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo