Racismo: Justiça do Trabalho mantém justa causa de funcionária que chamou colega de “Medusa”

Data:

TJGO mantém condenação de policial militar por injúria racial
Créditos: icedmocha / Shutterstock.com

A 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) manteve a dispensa por justa causa de uma funcionária de uma indústria do setor automotivo que fez comentários racistas sobre o cabelo de uma colega, chamando-a de “Medusa” diante de outros empregados. O colegiado entendeu que o comportamento configurou ato discriminatório grave, justificando a aplicação da penalidade máxima prevista na CLT.

O caso

A trabalhadora demitida ingressou com reclamação trabalhista pedindo a reversão da justa causa e o pagamento das verbas rescisórias. A empresa, porém, sustentou que a dispensa foi motivada pelo comportamento ofensivo, ocorrido em ambiente de trabalho e presenciado por diversas pessoas.

Segundo os autos, a vítima ficou emocionalmente abalada, chegou a chorar e buscou atendimento médico interno. A 6ª Vara do Trabalho de Uberlândia (MG) reconheceu que a atitude teve cunho racista, configurando ofensa à dignidade da colega e violação grave das normas de convivência no trabalho.

Conduta racista e quebra de confiança

Ao julgar o recurso, o desembargador Anemar Pereira Amaral, relator do caso, afirmou que ficaram preenchidos todos os requisitos legais para a aplicação da justa causa, como a gravidade da falta, a imediatidade da punição e a quebra da fidúcia entre empregadora e empregada.

Com base nas provas testemunhais, o magistrado concluiu que a funcionária proferiu palavras de cunho racista em razão do penteado trançado da colega, o que configura ato lesivo à honra, nos termos do artigo 482, alínea “j”, da CLT.

“Os atos de racismo, dentro ou fora do ambiente laboral, são repugnantes e devem ser firmemente combatidos”, destacou o relator.

O desembargador também observou que a conduta poderia caracterizar o crime de injúria racial, previsto no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, com redação dada pela Lei 14.532/23, e ressaltou que a decisão está em consonância com o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, instituído pelo CNJ em 2024.

Por unanimidade, a Turma manteve a sentença de primeiro grau, reconhecendo a regularidade da dispensa e afastando o pedido de indenização por danos morais.

Processo: 0011369-11.2024.5.03.0173

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-PI apresenta novas ferramentas de Inteligência Artificial para modernizar serviços do Judiciário

O Tribunal de Justiça do Piauí apresentou novas ferramentas de Inteligência Artificial desenvolvidas pelo Opala Lab para auxiliar magistrados e servidores, otimizar processos e modernizar os serviços judiciais. As soluções incluem sistemas de transcrição de audiências, análise processual e organização de bases de conhecimento, com foco em segurança, autonomia tecnológica e eficiência.

TJ-SP analisará pedido para excluir filiação materna do registro civil

O TJ-SP deverá analisar recurso de uma mulher que busca excluir a filiação materna de sua certidão de nascimento após relatar ter sido vítima de graves abusos durante a infância. Embora a sentença de primeiro grau tenha reconhecido os traumas e autorizado a retirada dos sobrenomes maternos, o pedido de desconstituição da maternidade foi negado sob o fundamento de que a filiação biológica deve permanecer registrada.

TJ mantém condenação de Marcelo Crivella por uso não autorizado de imagem em campanha eleitoral

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação do senador Marcelo Crivella ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais a um estudante que teve sua imagem e seu depoimento utilizados, sem autorização, em propaganda eleitoral. A Corte rejeitou novos recursos da defesa e preservou a sentença que também envolve o Partido Republicanos.

Licenciamento de novos data centers no Ceará reacende debate sobre impactos ambientais e consumo de energia

Dois novos projetos de data centers em Caucaia (CE) estão em fase de licenciamento ambiental e poderão consumir energia equivalente à utilizada por 4,5 milhões de residências, volume superior ao total de domicílios do estado. A dimensão dos empreendimentos intensificou o debate sobre os impactos ambientais, o consumo de água, o licenciamento simplificado e a necessidade de consulta às comunidades potencialmente afetadas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo