Resolução que ampliava atuação de biomédicos é invalidada pelo TRF1

Data:

acúmulo de cargos
Créditos: ipopba | iStock

A Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por sua 7ª Turma, ao julgar recurso de apelação interposto pelo Conselho Federal de Biomedicina, confirmou sentença que declarou a nulidade da Resolução nº 241/2014, sob o fundamento de ilegalidade e extrapolação do poder regulamentar.

A controvérsia teve origem em ação ajuizada pelo Conselho Federal de Medicina, que sustentou a incompatibilidade do ato normativo com o ordenamento jurídico vigente, ao permitir que biomédicos realizassem procedimentos estéticos invasivos e minimamente invasivos, tais como aplicação de toxina botulínica, intradermoterapia, carboxiterapia e laserterapia.

Em sede de apelação, o relator, José Amilcar de Queiroz Machado, promoveu interpretação sistemática do arcabouço normativo aplicável, destacando que a Lei nº 6.684/1979, ao disciplinar a profissão de biomédico, não confere autorização para a prática autônoma de atos invasivos, restringindo sua atuação a atividades técnicas de apoio e colaboração no âmbito das equipes multiprofissionais de saúde.

O voto condutor também enfatizou a prevalência da Lei nº 12.842/2013, que, ao definir os atos privativos do médico, inclui expressamente a realização de procedimentos invasivos, independentemente de sua finalidade terapêutica ou estética, consolidando reserva legal em favor da classe médica.

Sob a perspectiva do direito administrativo, o acórdão reafirma o entendimento de que os conselhos profissionais, embora dotados de competência normativa, exercem poder regulamentar de natureza infralegal, subordinado ao princípio da legalidade estrita. Assim, não lhes é dado inovar na ordem jurídica nem ampliar o espectro de atribuições profissionais além daquelas previamente estabelecidas em lei formal.

Ademais, o colegiado reconheceu a ocorrência de vício de legalidade no ato impugnado, por desbordar dos limites materiais da lei de regência, configurando hipótese de nulidade do ato administrativo por excesso de poder regulamentar.

Ao final, por decisão unânime, foi negado provimento ao recurso, mantendo-se hígida a sentença de primeiro grau em todos os seus termos, com a consequente retirada de eficácia da Resolução CFBM nº 241/2014 no ordenamento jurídico.

Processo nº 0067987-48.2015.4.01.3400.

(Com informações do TRF-1)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

CNJ avalia tornar obrigatório resumo estruturado em petições e recursos em todo o país

O CNJ avalia criar uma regra nacional para exigir resumos estruturados em petições iniciais e recursos, contendo informações como fatos, pedidos, decisões questionadas e fundamentos legais. A proposta busca uniformizar procedimentos e facilitar a utilização de ferramentas de inteligência artificial no Judiciário, mas também levanta discussões sobre formalismo processual, direito de acesso à Justiça e a necessidade de supervisão humana no uso da tecnologia.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo