Revisão de pensões por morte destinadas a filhas de servidores é anulada pelo STF

Data:

 pensão por morte
Crédito: BLACKDAY | Istock

A parte do acórdão do Tribunal de Contas da União (Acórdão 2.780/2016) que determinou o cancelamento e a revisão de pensão por morte concedida a filhas de servidores públicos civis, solteiras, maiores de 21 anos, que tenham outras fontes de renda, teve seus efeitos anulados por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, no Mandado de Segurança (MS) 35032. Ela foi estendida a outros 215 processos que tratavam do mesmo tema.

Sua decisão foi fundamentada pelo fato de que a lei aplicável na concessão da pensão por morte é a vigente na data do óbito do segurado, entendimento já solidificado sobre o tema. No caso em questão, aplica-se a Lei 3.373/1958, que determina que “a filha solteira, maior de 21 anos, só perderá a pensão temporária quando ocupante de cargo público permanente”. Ela foi revogada pela Lei 8.112/90, que não previa a filha solteira maior de 21 anos como dependente habilitada à pensão temporária.

O entendimento do TCU

Considerando a revogação da norma de 1958 pela Lei 8.112, o TCU revisou o benefício após realizar auditoria na folha de pagamento de centenas de órgãos públicos. De acordo com o órgão, 19.520 pensões por por morte concedidas com base na Lei 3.373/58 tinha indícios de irregularidades e, diante do fato, editou o Acórdão 2.780/2016.

A decisão de Fachin

Para Fachin, a interpretação mais adequada a ser dada ao dispositivo da Lei 3.373/58 é aquela que autoriza a revisão da pensão somente nas hipóteses em que a filha solteira maior de 21 anos se case ou tome posse em cargo público permanente. Ele considerou que, naquela lei, não havia como cessar a pensão em decorrência do exercício de outra trabalho que lhe gerasse renda, à exceção de cargo público permanente.

 pensão
Créditos: Thiago Santos / iStock

O ministro salientou também que o acórdão do tribunal viola a Lei 9.784/99, especificamente o prazo de 5 anos para revisar a concessão de benefícios a servidor ou a seus dependentes (artigo 54).

Por fim, afirmou que a interpretação do TCU viola os princípios da legalidade e da segurança jurídica, ameaçando direito líquido e certo das pensionistas, consolidado há pelo menos 27 anos, já que as pensões foram necessariamente concedidas entre o início (março de 1958) e o término (dezembro de 1990) de vigência da Lei 3.373/58. (Com informações do Supremo Tribunal Federal.)

Leia o  processo: MS 35032

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo