STF mantém decisão sobre submissão de arquiteta acusada de mandar matar os pais em Brasília ao Tribunal do Júri

Data:

STF mantém decisão sobre submissão de arquiteta acusada de mandar matar os pais em Brasília ao Tribunal do Júri
Créditos: Michał Chodyra | iStock

O pedido de anulação da decisão que determinou o julgamento da arquiteta Adriana Villela pelo Tribunal do Júri do Distrito Federal foi negado pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Adriana é acusada de ser a mandante do assassinato de seus pais e da empregada da família em 2009, em Brasília.

No pedido, a defesa disse que a sentença de pronúncia é nula por se fundamentar em provas ilícitas. No entendimento dos advogados, somente os peritos criminais poderiam assinar o laudo pericial em processo-crime. Porém, salientaram que no Habeas Corpus (HC) 174400, o ministro determinou que o juiz-presidente do Tribunal do Júri informe aos jurados que a perícia das impressões digitais no local do crime não foi feita por peritos criminais, mas por técnicos papiloscopistas do Instituto de Identificação da Polícia Civil do Distrito Federal.

Decisão de Barroso

Para o relator, ministro Roberto Barroso, a referência expressa à manifestação técnica do Instituto de Identificação da Polícia Civil do DF não foi o único indício de autoria. Ele pontuou que a decisão de pronúncia reconheceu a presença de indícios suficientes de autoria também em outros elementos idôneos de prova colhidos nas investigações. 

Ele destacou que todas as instâncias anteriores (primeira instância, Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e o Superior Tribunal de Justiça) apreciaram a questão e convergiram ao reconhecer a presença dos indícios de autoria. Em sua visão, “Não é possível falar, portanto, em ilegalidade ou abuso de poder que autorize a concessão do pedido de anulação”.

O relator ressaltou que, mesmo que a manifestação técnica não tenha sido assinada por perito oficial, ela não pode ser considerada prova ilícita. Ele ainda pontuou que a metodologia do documento foi contestada por laudo particular produzido pela defesa e pelo parecer técnico do Instituto de Criminalística, em decorrência da garantia do contraditório.

Barroso destacou também que a arquiteta, regularmente assistida por advogado, “concordou e colaborou espontaneamente para a produção dos experimentos que resultaram no laudo cuja licitude agora questiona”.

Por fim, entendeu que o documento deve ser mantido no processo como elemento indiciário, cabendo aos jurados avaliar o peso que deva merecer dentro do conjunto probatório a partir do esclarecimento a ser prestado pelo juiz-presidente.

(Com informações do Supremo Tribunal Federal)

 Leia também:          

Adquira seu certificado digital E-CPF ou E-CNPJ com a Juristas Certificação Digital. Acesse a plataforma de assinatura de documentos com certificado digital de maneira fácil e segura.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo