STJ anula decisão que obrigava Petrobras a pagar indenização milionária a fornecedora estrangeira

Data:

Servidor - Danos Morais
Créditos: Michał Chodyra / iStock

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) que havia condenado a Petrobras a pagar US$ 275 milhões à empresa Paragon Offshore Nederland B.V., fornecedora de sondas de prospecção de petróleo e gás.

Por maioria, os ministros seguiram o voto do relator, ministro Moura Ribeiro, que reconheceu irregularidades na composição do colegiado responsável pelo julgamento no tribunal fluminense. Segundo ele, o TJRJ não observou corretamente a técnica do julgamento estendido, prevista no artigo 942 do Código de Processo Civil (CPC), nem as regras do Regimento Interno da própria Corte.

Com a anulação, o processo retornará ao TJRJ para um novo julgamento.

Entenda o caso

A disputa começou após a Petrobras rescindir contratos de afretamento de navios-sondas firmados com a Paragon, que alegou ter sofrido prejuízos milionários com o encerramento antecipado dos acordos. A empresa afirmou que as embarcações estavam em reforma e que a estatal desconsiderou o tempo adicional necessário para as melhorias.

Em primeira instância, o pedido da fornecedora foi rejeitado, mas o TJRJ reformou a decisão, condenando a Petrobras ao pagamento de indenização bilionária.

Irregularidade no julgamento

Para o ministro Moura Ribeiro, o tribunal estadual violou os princípios do juiz natural e do devido processo legal ao convocar juízes substitutos para compor o julgamento ampliado, prática que, segundo ele, não atende aos critérios de impessoalidade e antecedência exigidos pela lei.

“O vício na composição do colegiado contamina todo o julgamento, comprometendo sua validade e eficácia”, afirmou o relator.

Ele ainda destacou que vícios dessa natureza podem ser alegados a qualquer tempo, por se tratarem de matéria de ordem pública.

Com isso, o STJ conheceu parcialmente o recurso especial da Petrobras, deu-lhe provimento e determinou que o TJRJ refaça o julgamento, desta vez observando rigorosamente as regras do artigo 942 do CPC.

Processo: REsp 2028735

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo