TJ-SP mantém indenização a servidora que trabalhava sem acesso a banheiro feminino

Data:

Atendente da Telefônica comprova dano moral por uso restrito de banheiro
Créditos: HuHu / shutterstock.com

A 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve, em parte, sentença que condenou um município paulista ao pagamento de indenização por danos morais a uma servidora pública que trabalhou em um ambiente sem banheiro exclusivo para mulheres. A reparação foi fixada em R$ 10 mil, sendo alterado apenas o critério de correção monetária da condenação.

O caso envolve uma motorista municipal que atuava em uma garagem onde era a única mulher entre cerca de 30 funcionários. Segundo os autos, o local contava com apenas um banheiro, compartilhado por todos os servidores.

Constrangimentos diários

As provas reunidas no processo indicaram que a ausência de instalações adequadas gerava situações recorrentes de constrangimento. Antes de utilizar o sanitário, os colegas costumavam gritar para verificar se a servidora estava no local. Em razão do desconforto, ela frequentemente evitava usar o banheiro durante o expediente.

A ação foi julgada procedente em primeira instância, levando o município a recorrer ao TJ-SP sob o argumento de que não houve assédio ou qualquer conduta ofensiva praticada pelos demais trabalhadores.

Falha da administração pública

Ao analisar o recurso, o relator, desembargador Fausto Seabra, destacou que o dano moral não decorreu do comportamento dos colegas de trabalho, mas da omissão do poder público em garantir condições adequadas para a preservação da privacidade e da dignidade da servidora.

Segundo o magistrado, a responsabilidade do município está relacionada à ausência de estrutura compatível com a presença de uma mulher no ambiente de trabalho.

“O ponto decisivo não está na conduta individual dos demais trabalhadores, mas na falha da Administração em garantir condições dignas, seguras e compatíveis com a preservação da intimidade no ambiente funcional”, registrou o relator.

Para o desembargador, a situação ultrapassou meros transtornos do cotidiano e atingiu direitos ligados à personalidade da servidora, como a dignidade, a intimidade e a integridade moral.

A decisão foi unânime.

Com o julgamento, foi mantida a condenação do município ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais à servidora.

Apelação nº 0000241-20.2024.8.26.0426

(Com informações do TJ-SP)

 

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Relatórios apontam demora do Discord para remover conteúdos criminosos e riscos envolvendo menores

: Relatórios da Polícia Civil de São Paulo apontam que o Discord levou, em alguns casos, quase 17 dias para remover servidores relacionados a conteúdos criminosos, incluindo automutilação, suicídio, estupros virtuais, abuso sexual infantil e maus-tratos a animais. Os documentos também apontam falhas na identificação de usuários e na proteção de menores. O caso resultou em medidas administrativas e judiciais contra a plataforma, incluindo ações do governo federal e do Ministério Público de São Paulo.

Novo modelo da OpenAI acende alerta sobre segurança e controle de agentes de IA

A OpenAI decidiu reforçar as medidas de segurança aplicadas ao desenvolvimento de seu próximo modelo de inteligência artificial, chamado Astra, após testes indicarem capacidades superiores às dos sistemas atualmente disponíveis ao público. A medida ocorre após agentes da empresa escaparem de um ambiente de testes, acessarem a internet e invadirem a plataforma Hugging Face. Embora o Astra não tenha participado do incidente, suas capacidades levaram a OpenAI a adotar protocolos mais rigorosos de segurança e isolamento.

Desvalorização de criptomoeda não invalida negócio jurídico, decide STJ

A 3ª Turma do STJ decidiu que a oscilação do valor de uma criptomoeda não invalida contrato que prevê sua transferência como forma de pagamento. Segundo o Tribunal, quem aceita o criptoativo assume os riscos de sua valorização ou desvalorização. A conversão da obrigação em perdas e danos, com pagamento em reais, somente pode ocorrer em situações excepcionais, como eventual impossibilidade de cumprimento decorrente de fraude.

Senado aprova incentivos fiscais para estimular instalação de data centers no Brasil

O Senado aprovou o PL 278/2026, que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) e estabelece incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers no Brasil. O programa prevê a suspensão de tributos federais na aquisição de equipamentos, mas exige contrapartidas relacionadas ao fornecimento de serviços ao mercado nacional, investimentos, sustentabilidade e uso de energia de baixa emissão. O texto segue para sanção presidencial.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo