TJDFT condena plataforma a indenizar motorista por suspensão prolongada sem justa causa

Data:

Cabe ao município estabelecer requisito autorizador da exploração do serviço de táxi
Créditos: Vera Petrunina / Shutterstock.com

A 1ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou a Uber do Brasil Tecnologia Ltda. ao pagamento de indenização a motorista parceiro que teve sua conta suspensa por aproximadamente 16 semanas, sem justificativa comprovada. A plataforma foi condenada a pagar R$ 3 mil a título de danos morais, além de R$ 5.620,16 por lucros cessantes.

Conforme os autos, o motorista atuava na plataforma desde 2018, mantinha avaliação média de 4,88 estrelas e havia realizado mais de 4.500 corridas. Em junho de 2024, sua conta foi desativada de forma abrupta, sob a alegação genérica de “verificação interna”. A empresa sustentou a existência de possível duplicidade de cadastro, mas não apresentou provas concretas da irregularidade. Durante o período de bloqueio, que se estendeu por cerca de quatro meses, o profissional ficou impedido de exercer sua atividade, tendo sua única fonte de renda interrompida, com média semanal de ganhos líquidos de R$ 351,26. Após sucessivas tentativas administrativas infrutíferas, o motorista ajuizou ação judicial. A reativação da conta ocorreu apenas em outubro de 2024, após o início do processo.

Em primeiro grau, o juízo reconheceu o direito aos lucros cessantes, mas afastou a indenização por danos morais. Inconformado, o autor interpôs recurso. A empresa também apelou, sustentando a legitimidade da suspensão e defendendo que eventual indenização deveria se limitar a sete dias, nos termos de uso da plataforma.

Ao apreciar os recursos, a Turma reconheceu a configuração do dano moral. Os desembargadores destacaram que, embora a relação entre a plataforma e o motorista seja de natureza civil, e não consumerista, são aplicáveis os princípios da boa-fé objetiva e da função social do contrato. Segundo o colegiado, a suspensão injustificada por período prolongado, sem comunicação adequada e com impacto direto sobre a única fonte de renda do autor, extrapola meros dissabores contratuais e atinge atributos da personalidade, como a dignidade, a tranquilidade e a segurança econômica.

Para a Turma, a manutenção do bloqueio por tempo excessivo, sem comprovação concreta da suposta infração, caracterizou abuso de direito. A posterior reativação da conta reforçou o entendimento de que a suspensão foi indevida.

Por fim, o valor fixado de R$ 3 mil a título de danos morais foi considerado adequado às funções compensatória e pedagógica da indenização. Quanto aos lucros cessantes, o colegiado manteve o montante de R$ 5.620,16, correspondente às 16 semanas de impedimento, afastando a tese da empresa de limitação a sete dias.

A decisão foi unânime.

Processo nº 0708978-71.2024.8.07.0014.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo