TJDFT reconhece responsabilidade objetiva de creche e fixa indenização por lesões sofridas por bebê

Data:

licença maternidade
Créditos: Liudmila_Fadzeyeva | Istock

A 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou a creche Amor de Mãe Espaço Pedagógicos Ltda. ao pagamento de indenização por danos morais à família de um bebê de nove meses que apresentou lesões corporais após permanecer sob os cuidados da instituição. O valor da compensação foi fixado em R$ 10 mil.

Os fatos ocorreram em janeiro de 2024, ocasião em que os pais matricularam o filho na creche. No segundo dia do período de adaptação, após aproximadamente sete horas na instituição, a criança foi entregue aos genitores com hematomas visíveis nas costas. As lesões foram constatadas pela mãe durante o banho, o que ensejou o registro de boletim de ocorrência e a condução do bebê ao Instituto Médico Legal (IML) na mesma noite. O laudo pericial atestou a existência de lesões contusas recentes.

Diante do ocorrido, a família ajuizou ação de indenização por danos morais. Em primeira instância, o pedido foi julgado improcedente, sob o fundamento de ausência de comprovação inequívoca do nexo de causalidade entre a conduta da creche e as lesões constatadas. Os autores interpuseram recurso.

Em sede recursal, a creche apresentou como elemento probatório gravação integral do período em que o bebê permaneceu sob seus cuidados. Ao analisar as imagens, o colegiado identificou conduta negligente e tecnicamente inadequada por parte de uma das cuidadoras, que deixou a criança chorando por período prolongado sem acolhimento e, em determinado momento, puxou o bebê de forma brusca pelo braço, sem a cautela exigida para a idade.

O relator destacou que o movimento ocorreu na região correspondente aos hematomas descritos no laudo médico e nas fotografias juntadas aos autos, reconhecendo a existência de nexo causal entre a conduta da funcionária e as lesões apresentadas pela criança.

Segundo consignado no voto, a relação jurídica estabelecida entre as partes é de consumo, sendo aplicável o regime de responsabilidade objetiva previsto no Código de Defesa do Consumidor. O desembargador ressaltou que, estando comprovados o dano e o nexo causal, impõe-se o dever de indenizar, independentemente da demonstração de culpa.

“Presente o nexo causal entre as lesões corporais e a conduta da cuidadora da creche ré, que possuía naquele momento o dever de cuidado com os bebês que estavam sob sua tutela, é procedente o pedido de indenização por dano moral”, afirmou o relator.

A Turma também ressaltou a verossimilhança das alegações iniciais, reforçada pelo fato de o boletim de ocorrência e o laudo do IML terem sido produzidos na mesma data do evento, conferindo maior credibilidade à narrativa dos autores.

No tocante ao quantum indenizatório, o colegiado fixou a indenização em R$ 10 mil, valor considerado adequado para cumprir as funções compensatória, punitiva e preventivo-pedagógica da reparação por dano extrapatrimonial, especialmente diante da inexistência de sequelas permanentes.

A decisão foi proferida por unanimidade.

Processo nº 0702055-29.2024.8.07.0014.

(Com informações do TJDFT)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo