TJMT confirma condenação por publicidade enganosa na venda de imóvel

Data:

compra e venda de imóvel
Crédito: Vadimguzhva | Istock

A Quinta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) confirmou, por unanimidade, a condenação de empresas do setor imobiliário por publicidade enganosa ao entregar empreendimento em condições diferentes daquelas divulgadas na venda.

O caso envolve um comprador que adquiriu unidade anunciada como “condomínio fechado”, mas recebeu o imóvel sem fechamento integral por muros e com diversas deficiências estruturais nas áreas comuns. Entre os problemas constatados pelos autos estavam: piscina interditada por infiltrações, pontos de esgoto a céu aberto, alagamentos em áreas de circulação, deterioração de churrasqueiras e ausência de muro em parte do perímetro, divergindo das características divulgadas no material publicitário.

Em primeira instância, as empresas foram condenadas solidariamente ao pagamento de R$ 10 mil a título de danos morais, em razão da frustração da legítima expectativa do consumidor e violação da boa-fé objetiva. A indenização por danos materiais foi negada, por ausência de provas técnicas sobre eventual desvalorização do imóvel.

As rés recorreram, sustentando que:

  • O conceito de “condomínio fechado” não exigiria necessariamente a construção de muro;
  • Não havia comprovação de vícios construtivos;
  • Não seria cabível indenização por dano moral;
  • Houve equívoco na concessão de gratuidade de justiça e na inversão do ônus da prova.

Ao analisar o recurso, a Quinta Câmara rejeitou todas as preliminares e manteve integralmente a sentença. Para o colegiado, a publicidade criou expectativa clara de segurança e fechamento do perímetro por muros, e a entrega do imóvel em condições distintas caracteriza publicidade enganosa e falha na prestação do serviço.

O tribunal ressaltou que problemas estruturais em áreas essenciais à convivência e segurança ultrapassam meros aborrecimentos, afetando a dignidade e a tranquilidade do morador, justificando a reparação moral. O valor de R$ 10 mil foi considerado adequado, proporcional e com caráter pedagógico, a fim de desestimular condutas similares no mercado imobiliário.

Processo nº 1016237-15.2025.8.11.0041

(Com informações do TJMT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-PI apresenta novas ferramentas de Inteligência Artificial para modernizar serviços do Judiciário

O Tribunal de Justiça do Piauí apresentou novas ferramentas de Inteligência Artificial desenvolvidas pelo Opala Lab para auxiliar magistrados e servidores, otimizar processos e modernizar os serviços judiciais. As soluções incluem sistemas de transcrição de audiências, análise processual e organização de bases de conhecimento, com foco em segurança, autonomia tecnológica e eficiência.

TJ-SP analisará pedido para excluir filiação materna do registro civil

O TJ-SP deverá analisar recurso de uma mulher que busca excluir a filiação materna de sua certidão de nascimento após relatar ter sido vítima de graves abusos durante a infância. Embora a sentença de primeiro grau tenha reconhecido os traumas e autorizado a retirada dos sobrenomes maternos, o pedido de desconstituição da maternidade foi negado sob o fundamento de que a filiação biológica deve permanecer registrada.

TJ mantém condenação de Marcelo Crivella por uso não autorizado de imagem em campanha eleitoral

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação do senador Marcelo Crivella ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais a um estudante que teve sua imagem e seu depoimento utilizados, sem autorização, em propaganda eleitoral. A Corte rejeitou novos recursos da defesa e preservou a sentença que também envolve o Partido Republicanos.

Licenciamento de novos data centers no Ceará reacende debate sobre impactos ambientais e consumo de energia

Dois novos projetos de data centers em Caucaia (CE) estão em fase de licenciamento ambiental e poderão consumir energia equivalente à utilizada por 4,5 milhões de residências, volume superior ao total de domicílios do estado. A dimensão dos empreendimentos intensificou o debate sobre os impactos ambientais, o consumo de água, o licenciamento simplificado e a necessidade de consulta às comunidades potencialmente afetadas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo