Tribunal deve examinar legalidade de prisão preventiva, decide STJ em habeas corpus

Data:

Presidente não reconhece flagrante ilegalidade em exigência de exame criminológico para progressão de regime
Créditos: Africa Studio / Shutterstock.com

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) analise o mérito de um habeas corpus impetrado em favor de um homem preso preventivamente por suposto tráfico de drogas, com fundamento no artigo 33 da Lei de Drogas.

A decisão foi proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que considerou indevida a rejeição do pedido pelo tribunal estadual sob o argumento de supressão de instância.

Prisão preventiva e questionamentos da defesa

O réu foi preso em flagrante e teve a prisão posteriormente convertida em preventiva após audiência de custódia. No habeas corpus apresentado ao TJ-RJ, a defesa alegou uma série de irregularidades na atuação policial e na formação das provas.

Entre os principais pontos levantados estão a suposta ilegalidade da abordagem, a realização de revista pessoal sem justa causa, o uso de algemas, possíveis falhas na cadeia de custódia e a ausência de elementos concretos que justificassem a prisão. A defesa também sustentou que o acusado teria sido abordado unicamente por estar com uma mochila em área conhecida pelo tráfico de drogas, além de levantar a hipótese de influência de fatores raciais na ação policial.

Entendimento do STJ

Ao analisar o caso, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca destacou que a legalidade da prisão já havia sido apreciada pelo juízo de primeiro grau ao converter a custódia em preventiva. Por isso, não haveria impedimento para que o habeas corpus fosse impetrado diretamente ao tribunal estadual competente.

O ministro ressaltou ainda que a jurisprudência do STJ é consolidada no sentido de que decisões que decretam prisão preventiva podem ser imediatamente impugnadas por meio de habeas corpus perante o Tribunal de Justiça, não havendo que se falar em supressão de instância.

Dessa forma, entendeu que o TJ-RJ adotou exigência processual sem amparo legal ao deixar de analisar o mérito do pedido.

Determinação

Com base nesse entendimento, o STJ reconheceu a ilegalidade da decisão do tribunal fluminense e determinou que o TJ-RJ processe o habeas corpus e analise, de forma efetiva, os argumentos apresentados pela defesa, especialmente aqueles relacionados à legalidade da prisão e da abordagem policial.

O caso tramita sob o HC 1.105.661.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo