União Federal é condenada a indenizar militar por prisão indevida

Data:

prisão indevida
Créditos: Peter Skadberg / Freeimages.com

Por unanimidade, a Sexta Turma do TRF1 negou provimento ao recurso de apelação da União Federal e deu provimento ao recurso de apelação do autor, um militar do Exército Brasileiro, contra sentença, que condenou a União Federal ao pagamento de indenização a título de danos morais no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), por força da prisão imposta ao demandante por deserção, durante período em que ele se encontrava regularmente afastado de suas atividades para tratamento de saúde.

Há nos autos que o militar possuía prescrição médica para afastamento total das atividades militares, bem como das de instrução, com início em 23/11/2007 e duração de 60 dias, sendo o seu término em 21/01/2008. Ao se apresentar voluntariamente no quartel após o período citado, o militar foi preso por 10 dias sob a alegação de ter desertado.

A União Federal, ao apelar, sustentou, resumidamente, que o militar não possuía autorização para se tratar em sua residência e, por esta razão, não poderia ter deixado de comparecer ao seu posto militar.

Ao verificar o caso, o relator, desembargador federal Jirair Aram Meguerian, ressaltou que a prisão do militar por deserção logo após o final de sua licença para tratamento médico viola o art. 187 do Código Penal Militar, que prevê a configuração de deserção apenas ao militar que se afaste do serviço militar sem licença, situação oposta à do demandante, que tinha licença médica concedida pela Junta Médica Militar determinando expressamente seu afastamento total das atividades militares e de instrução durante o período.

Para o relator, diante da ilegalidade e abusividade da prisão do militar, faz o demandante jus à indenização por danos morais, motivo pelo qual, opinou para que a indenização fosse majorada para R$ 40.000,00 (quarenta mil reais).

Processo nº: 2008.34.00.008916-5/DF

(com informações do Tribunal Regional Federal da 1ª Região – TRF1)

EMENTA

APELAÇÕES CÍVEIS. UNIÃO. PRISÃO POR DESERÇÃO. ILEGALIDADE FLAGRANTE. MILITAR DURANTE PERÍODO DE LICENÇA PARA TRATAMENTO À SAÚDE COM DETERMINAÇÃO DE TOTAL AFASTAMENTO DE SUAS ATIVIDADES. DANOS MORAIS. EXISTÊNCIA. INDENIZAÇÃO. MAJORAÇÃO. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA.

I. A Constituição Federal prevê, em seu art. 5º, LXXV, o direito à indenização de quem seja condenado por erro judiciário e de quem fique preso além do tempo fixado na sentença. Em outros termos, sendo ilegal a prisão é cabível ao por ela atingido reclamar indenização em face da Administração Pública.

II. A mera circunstância de ser preso de maneira indevida é hábil a ocasionar danos morais, presumidamente. Isso porque os danos morais são violação aos direitos da personalidade, inerentes à dignidade da pessoa humana, a exemplo da vida, da liberdade, da honra, da boa fama, entre outros. Tendo em vista que a prisão ilegal viola diretamente a liberdade de locomoção, macula de maneira frontal direito da personalidade de quem fora indevidamente preso, gerando assim danos morais hábeis a serem reparados. Precedentes.

III. Caso em que o autor, militar, foi preso por deserção logo após o final de sua licença para tratamento médico, situação esta que viola frontalmente o art. 187, do Código Penal Militar, que prevê a configuração de deserção apenas ao militar que se afaste do serviço militar sem licença, situação oposta à do autor, que possuía licença médica concedida pela Junta Médica Militar determinando expressamente seu afastamento total das atividades militares e de instrução durante o período.

IV. Ante a flagrante ilegalidade e abusividade da prisão autoral, faz o autor jus à indenização por danos morais.

V. Indenização por danos morais majorada de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) para R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), em atenção às peculiaridades do caso concreto e aos precedentes desta E. Corte. Precedentes.

VI. Recurso de apelação da União a que se nega provimento e recurso de apelação do autor a que se dá provimento.

(TRF1 – Numeração Única: 0008870-73.2008.4.01.3400 – APELAÇÃO CÍVEL N. 2008.34.00.008916-5/DF – RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL JIRAIR ARAM MEGUERIAN APELANTE : IGOR LEAL FARIAS ADVOGADO : DF00025776 – JOSE ARAGUAÇU SARAIVA DOS SANTOS E OUTRO(A) APELANTE : UNIAO FEDERAL PROCURADOR : MA00003699 – NIOMAR DE SOUSA NOGUEIRA APELADO : OS MESMOS. Data do Julgamento: 12/03/2018)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

MPF cobra medidas do Discord para ampliar proteção de crianças e adolescentes

O Ministério Público Federal solicitou à Justiça que o Discord adote novas medidas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. Entre as exigências estão a preservação de dados de denúncias e investigações, o bloqueio de perfis banidos e canais removidos, mecanismos de verificação de idade e supervisão parental e melhorias na moderação de conteúdo. O MPF também defende a manutenção da suspensão das transmissões ao vivo até que as medidas de segurança sejam implementadas.

Justiça reconhece paternidade de homem falecido com base em DNA e outras provas

: A Justiça de São Paulo reconheceu a paternidade biológica de um homem falecido com base em um exame de DNA que apontou 98,87% de probabilidade de vínculo genético, analisado em conjunto com outras provas. O juízo considerou o relacionamento entre o suposto pai e a mãe da autora, depoimentos de familiares e o reconhecimento da filiação no âmbito da família paterna. A decisão determinou a retificação da certidão de nascimento e permitiu a inclusão do sobrenome paterno.

Tribunal reconhece união estável entre dois homens e determina divisão do patrimônio do casal

A Justiça de Santa Catarina reconheceu a união estável homoafetiva entre dois homens que mantiveram relacionamento por cerca de dez anos, com base em provas que demonstraram convivência contínua e duradoura, compartilhamento de residência, despesas, projetos e atividades empresariais. Como consequência, foi determinada a partilha igualitária dos bens adquiridos durante a união, com exclusão dos patrimônios anteriores ao relacionamento ou pertencentes a terceiros.

Justiça condena pais por expulsarem adolescente de casa por orientação sexual

A Justiça de Santa Catarina condenou os pais de um adolescente ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais após ele ser ameaçado e expulso de casa ao revelar sua orientação sexual. O pai também teria publicado conteúdos discriminatórios sobre o jovem nas redes sociais. Avaliação psicológica apontou violência psicológica, negligência afetiva e rejeição no ambiente familiar.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo