STJ reforma decisão que afastou Lei Maria da Penha em agressão de filho contra mãe idosa

Data:

 

maus tratos
Créditos: Halfpoint | iStock

A decisão da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu competência à vara especializada em violência doméstica para julgar um homem acusado de agredir verbal e fisicamente sua mãe de 71 anos. Isso ocorreu porque a vulnerabilidade da mulher é presumida, de acordo com a interpretação da Turma. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) havia decidido anteriormente que não havia motivação de gênero no caso, e reconheceu a competência do juízo comum, argumentando que a vulnerabilidade da vítima era devida à idade avançada, e não ao fato de ela ser mulher.

O Ministério Público de Goiás ofereceu denúncia perante o juizado especializado em violência doméstica e ameaça, previstos na Lei Maria da Penha, mas o órgão não reconheceu sua competência.

O TJGO ratificou a decisão, alegando que não havia indícios de violência de gênero, e que a Lei Maria da Penha era inaplicável. O Ministério Público recorreu ao STJ, argumentando que a vulnerabilidade da mulher era presumida nas condições descritas.

O relator, ministro Antonio Saldanha Palheiro, destacou que o STJ já havia firmado entendimento de que a hipossuficiência e a vulnerabilidade da mulher são presumidas em contextos de violência doméstica e familiar.

O fato de a vítima ser idosa e depender financeiramente do agressor não afasta a configuração da violência doméstica contra a mulher. O parecer do Ministério Público Federal também reiterou que a motivação financeira do agressor configura violência de gênero, pois está relacionada à condição de ser mulher numa ordem socialmente desigual.

O relator concluiu que a violência contra a mulher provém de um aspecto cultural do agressor, que busca subjugar e inferiorizar a mulher. Portanto, mesmo que a motivação seja financeira, não é possível afastar a ocorrência de violência doméstica contra a mulher.

(Com informações do Superior Tribunal de Justiça)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo