Governo Lula recua e reconhece motoristas de aplicativo como autônomos

Data:

Governo Lula recua e reconhece motoristas de aplicativo como autônomos | Juristas
Lula assina projeto de lei
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuou da proposta inicial de enquadrar os motoristas de aplicativo em três categorias profissionais, incluindo uma sob a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). De acordo com informações da FolhaPress, a nova abordagem será de reconhecê-los como trabalhadores autônomos, segundo um projeto de lei que será enviado ao Congresso Nacional.

A minuta da regulação do setor, obtida pela Folha, estipula que esses trabalhadores devem contribuir com 7,5% para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), receber pelo menos R$ 32,09 por hora de trabalho e garantir uma remuneração equivalente ao salário mínimo, atualmente em R$ 1.412.

Caso seja aprovada pelos parlamentares, a proposta criará uma nova categoria profissional denominada “trabalhador autônomo por plataforma”, alinhando-se a decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecem essa categoria como autônoma.

Os motociclistas ficaram de fora das negociações devido à falta de consenso com as empresas do setor, mesmo após um ano de debates envolvendo o Ministério do Trabalho, empresas de aplicativos, entregadores e sindicatos.

carro roubado
Créditos: Rostislav_Sedlacek | iStock

Conforme a minuta elaborada pelo Ministério do Trabalho, os motoristas deverão contribuir com 7,5% para a Previdência Social sobre o salário recebido. Já as empresas deverão contribuir com 20% sobre a remuneração mínima do profissional, equivalente a 25% da renda bruta.

A cobrança da hora mínima começará no momento em que o profissional aceitar a viagem, em vez de ser contabilizada pela hora logada, como desejava a categoria.

O valor de R$ 32,09 por hora é dividido entre R$ 8,02 como retribuição pelos serviços prestados e R$ 24,07 como ressarcimento dos custos do profissional.

Até a publicação da reportagem da Folha, o Ministério do Trabalho, Uber e 99 não haviam respondido aos questionamentos. A Amobitec (Associação de Mobilidade e Tecnologia), que representa aplicativos como Uber, 99 e iFood, informou que só se manifestará oficialmente quando houver a divulgação oficial da proposta.

Governo Lula recua e reconhece motoristas de aplicativo como autônomos | Juristas
Créditos: UDGTV | iStock

A minuta do projeto de lei também estabelece que essa atividade profissional será regida pela nova lei, desde que o serviço seja prestado “com plena liberdade para decidir sobre dias, horários e períodos em que se conectará ao aplicativo”.

Há, no entanto, limite de horas de trabalho, de até 12 horas por dia. Segundo o projeto, a limitação tem como objetivo “assegurar a segurança e a saúde do trabalhador e do usuário”.

A empresa do aplicativo recolherá a contribuição ao INSS todo dia 20 de cada mês. Os dados do profissional serão registrados no sistema da Receita Federal, como o eSocial, e as plataformas podem ser fiscalizadas por auditores do trabalho. O descumprimento da lei pode resultar em multa de cem salários mínimos, atualmente R$ 141,2 mil, e a remuneração do trabalhador será ajustada anualmente de acordo com o aumento do salário mínimo.

A minuta prevê também que haverá representação dos trabalhadores por entidade sindical da categoria profissional “motorista de aplicativo de veículo de quatro rodas” e as empresas intermediárias serão representadas por entidade sindical da categoria econômica específica.

As entidades terão atribuições como negociação coletiva, assinatura de acordos e convenções coletivas, e representação de trabalhadores e empresas em questões judiciais e extrajudiciais. A advogada Adriane Bramante destaca que a contribuição ao INSS prevista no projeto cria uma nova categoria profissional, sem precedentes previdenciários claros. As alíquotas de contribuição atualmente variam de 11% a 20% para contribuintes individuais, mas a proposta não especifica os benefícios previdenciários associados a essa nova categoria.

“A contribuição é nova e a cargo da empresa dona do aplicativo. A contribuição seria presumida para o motorista e, como ocorre hoje com contribuinte individual que presta serviço para outra empresa, será recolhida pela empresa”, explica Bramante.

Segundo a minuta, a lei entrará em vigor 90 dias após aprovada.

Com informações da FolhaPress.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo