Uso de jurisprudência gerada por IA configura litigância de má-fé e gera multa, decide TRT-2

Data:

Inteligência Artificial advogados
Créditos: Phonlamai Photo | iStock

A 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) condenou uma empresa prestadora de serviços ao pagamento de multa de 5% sobre o valor da causa por litigância de má-fé, após apresentar em sua defesa decisões judiciais inexistentes, elaboradas por inteligência artificial (IA). Além disso, determinou-se a abertura de procedimento disciplinar contra o advogado responsável junto à OAB-SP.

No caso, o advogado do reclamante constatou que as decisões citadas pela empresa não constavam nos registros dos tribunais. Questionada, a empregadora admitiu ter utilizado ferramentas de IA generativa para confeccionar a peça processual. Em sua defesa, o advogado da empresa buscou minimizar a conduta, atribuindo o erro a estagiários e descrevendo as decisões como “jurisprudência fictícia”.

O relator, juiz convocado Fernando Cesar Teixeira França, rejeitou a justificativa, destacando que é dever do advogado supervisionar o trabalho de sua equipe e verificar a veracidade das informações apresentadas ao juízo, conforme o exercício privativo da advocacia.

Além da penalidade pela litigância de má-fé, a empresa teve negado o pedido de nulidade do pagamento de verbas rescisórias sob alegação de falta grave do ex-funcionário, pois não comprovou os fatos com os vídeos prometidos. A decisão manteve, assim, a condenação original, assegurando os direitos trabalhistas do reclamante.

Confira aqui a decisão.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TSE deve definir limites para uso de deepfakes nas eleições e critérios para punições

O TSE analisa critérios para definir o que caracteriza deepfake eleitoral e quais punições poderão ser aplicadas pelo uso irregular de conteúdos produzidos por inteligência artificial. O debate envolve especialmente vídeos e áudios com elevado grau de realismo e potencial para confundir o eleitor, além da diferenciação entre deepfakes e manifestações claramente fictícias, como memes, caricaturas e conteúdos satíricos.

Golpes em aplicativos de relacionamento usam engenharia social para obter dados biométricos de vítimas

Golpistas estão recorrendo a perfis falsos em aplicativos de relacionamento para estabelecer contato com vítimas e tentar obter imagens, vídeos e outros dados que podem ser utilizados em fraudes envolvendo identidade e biometria. A prática também levanta questões relacionadas à proteção de dados pessoais e à segurança digital.

Meta restringe uso por adolescentes e amplia pressão global sobre redes sociais

A decisão da Meta de restringir o uso de redes sociais por adolescentes nos EUA intensificou a pressão internacional para que plataformas digitais adotem medidas mais eficazes de proteção de crianças e adolescentes. Países como Austrália, Estados Unidos, integrantes da União Europeia e nações asiáticas discutem limites de idade, controle parental, verificação etária e mudanças em recursos que podem estimular o uso excessivo das redes.

Samsung é condenada a pagar R$ 59,8 milhões por violação de marcas de relógios

A Alta Corte de Londres condenou a Samsung a pagar US$ 11,6 milhões, aproximadamente R$ 59,8 milhões, ao Grupo Swatch por violação de marcas registradas. A decisão considerou que aplicativos de terceiros disponibilizados na loja Galaxy reproduziam designs de relógios de marcas como Omega, Longines e Tissot. A Samsung foi responsabilizada por controlar a análise dos aplicativos e poderá recorrer

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo