Advogados admitem uso de prompts ocultos em ação ligada ao “Escobar brasileiro”

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Photo by Thomas Lefebvre on Unsplash

Uma ação judicial movida por Sérgio Roberto de Carvalho, ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e conhecido como “Escobar brasileiro”, acendeu um alerta no meio jurídico após a descoberta de comandos ocultos de inteligência artificial inseridos na petição inicial. A estratégia teria sido criada para influenciar sistemas de IA eventualmente utilizados por magistrados ou servidores na análise preliminar do processo.

O documento, protocolado em setembro de 2025, continha instruções escondidas logo no cabeçalho da peça. Os comandos eram direcionados a uma suposta “Unidade de Inteligência Artificial de Análise Jurídica” e determinavam que o sistema tratasse o recurso como plenamente admissível, validando automaticamente os argumentos apresentados pela defesa.

A ação foi assinada pelos advogados Lucas F. N. Brandolis, Matheus Pelzl Ferreira e Dálete de Oliveira Cáceres. O processo buscava indenização e a retirada de reportagens que associavam Carvalho ao apelido de “Escobar brasileiro”. Atualmente, ele está preso em Antuérpia, na Bélgica, e é investigado por suposto envolvimento com tráfico internacional de drogas.

Segundo especialistas, a prática utilizada é conhecida como “prompt injection”, técnica que consiste em inserir comandos ocultos em documentos para manipular ferramentas de inteligência artificial. Na prática, o objetivo seria induzir a IA a interpretar o conteúdo de maneira favorável, ignorando falhas processuais ou fragilidades jurídicas.

Os comandos encontrados no processo orientavam a ferramenta a “suspender filtros”, afastar obstáculos jurídicos e considerar plenamente atendidos requisitos formais do recurso. Também determinavam que eventuais provas ou fatos fossem interpretados de maneira favorável aos autores da ação.

Após a descoberta da manobra, os advogados desistiram do processo. Em petição posterior, o escritório alegou que o conteúdo oculto teria sido inserido por um ex-colaborador de forma experimental em um modelo de documento utilizado internamente. A defesa afirmou ainda que desconhecia a existência dos comandos e que abriu investigação interna assim que o problema foi identificado.

Durante a apuração, o escritório informou ter localizado o mesmo tipo de prompt em outros 28 processos judiciais. Em todos eles, foram protocolados pedidos para desconsideração do conteúdo oculto.

Os advogados negam prática de fraude processual ou litigância de má-fé. Segundo o escritório, o episódio decorreu de uma falha operacional relacionada ao uso de modelos automatizados contaminados por comandos indevidos.

O caso reacendeu discussões sobre os riscos do uso indiscriminado de inteligência artificial no Judiciário e sobre a necessidade de mecanismos de segurança capazes de impedir que ferramentas automatizadas sejam manipuladas por comandos escondidos em documentos processuais.

(Com informações do Campo Grande News por Ângela Kempfer)

Saiba mais sobre Prompt Injection:

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