Autoridades trabalhistas criticam atuação do STF em julgamentos sobre novas relações de trabalho

Data:

Prisão de devedor de alimentos
Créditos: Zolnierek / iStock

Representantes da Justiça do Trabalho, do Ministério Público e da fiscalização trabalhista manifestaram preocupação com recentes decisões e pautas do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo temas sensíveis do mundo do trabalho, como pejotização e uberização.

As críticas foram apresentadas durante audiência pública conjunta das comissões de Constituição e Justiça e de Trabalho da Câmara dos Deputados, que discutiu o papel da Justiça diante das transformações nas relações laborais.

“Pejotização retira proteção constitucional”, diz presidente do TST

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que a pejotização — quando um trabalhador é obrigado a abrir empresa para prestar serviços — elimina a proteção constitucional e deixa o trabalhador vulnerável em situações de doença, acidente ou aposentadoria.

“O PJ é aquele que precifica e escolhe o momento do trabalho. Eu quero saber se uma criança pedalando uma bicicleta é empreendedora. Ninguém fiscaliza isso, e ninguém registra que temos 13.477 mortes de motoboys por ano neste país. Se somarmos os últimos anos, chegamos a 36 mil. Isso está acontecendo há mais de uma década”, alertou o ministro.

“Intromissão indevida do STF”, afirma presidente do TRT-2

O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), desembargador Valdir Florindo, destacou que cabe ao juiz trabalhista identificar fraudes com base em provas e fatos, e classificou como indevida a interferência do STF em matérias infraconstitucionais.

“Qualquer decisão do Supremo sobre temas infraconstitucionais representa uma intromissão desautorizada na competência de outros tribunais. Quando um juiz se depara com uma fraude, deve ignorá-la? Guardá-la numa gaveta trancada?”, questionou.

Ministério Público e parlamentares pedem regulação

O procurador Rodrigo Castilho, do Ministério Público do Trabalho (MPT), afirmou que microempreendedores individuais e trabalhadores de aplicativos são, na prática, empregados, mudando apenas a forma de contratação. Segundo ele, os contratos de adesão e a ausência de negociação direta reforçam a necessidade de regulação estatal.

O deputado Alencar Santana (PT-SP) destacou que a pejotização compromete o sistema previdenciário e a seguridade social, transferindo ao Estado os custos de uma suposta liberdade econômica.

“Vende-se ao trabalhador a ideia de autonomia, mas logo ele fica desamparado. E, no fim, é o Estado quem precisa socorrer com a Previdência e a assistência social”, afirmou.

Justiça do Trabalho e novos desafios

Representantes de trabalhadores também lembraram que as críticas à Justiça do Trabalho intensificaram-se após a reforma trabalhista de 2017, que aumentou os custos para ajuizar ações e ampliou a terceirização de atividades-fim.

Eles alertaram ainda que o avanço da inteligência artificial e das plataformas digitais exige novas regras de proteção, sob risco de aprofundar a precarização das relações de trabalho.

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo