Denúncia contra ministro do TCU é rejeitada no STF por ausência de justa causa

Data:

Denúncia contra ministro do TCU é rejeitada no STF por ausência de justa causa | JuristasA 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no Inquérito (INQ) 4075, rejeitou a denúncia apresentada contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz pela prática do crime de tráfico de influência. O colegiado também determinou a remessa dos autos à Justiça Federal do Distrito Federal em relação a outros denunciados, inclusive Tiago Cedraz, filho do ministro, que não detêm foro por prerrogativa de função no STF.

Na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), há provas de que Tiago Cedraz, agindo com o pai, solicitou e recebeu pagamento de R$ 50 mil mensais e mais um aporte extra de R$ 1 milhão em espécie do presidente da empreiteira UTC Engenharia, Ricardo Pessoa. A ideia era que o ministro exercesse influência em processos de interesse da empresa em curso no TCU, relacionados à usina de Angra 3. 

Os episódios teriam ocorrido entre 2012 a 2014. A PGR diz que o ministro participou em pedido de vista, mesmo impedido, com o intuito de “demonstrar às partes interessadas que poderia influenciar no trâmite do caso”.

Decisão do STF

O relator, ministro Edson Fachin, já havia proferido voto pelo recebimento da denúncia e afastamento cautelar do ministro acusado. Na retomada do julgamento, o ministro Ricardo Lewandowski divergiu do relator para rejeitar a denúncia em relação a Aroldo Cedraz por ausência de justa causa (artigo 395, inciso III, do CPP), já que os argumentos em que se apoiam a acusação são “frágeis e precários”, sem indícios seguros e idôneos que demonstrem a intenção deliberada do ministro de atrasar o julgamento ao pedir vista dos autos.

Para Lewandowski, foram quase 5 meses entre a primeira inserção do processo na pauta de julgamentos do TCU e o pedido de vista, sendo que Cedras apontou seu impedimento em diversos adiamentos e retiradas de pauta a pedido do relator. Por isso, entendeu ser crível a justificativa do ministro do TCU de que formulou pedido de vista para estudar o processo por não ter tido a oportunidade de examinar os autos anteriormente em decorrência de férias.

O ministro do STF também entendeu ser crível a versão de que Cedraz achou que poderia participar do julgamento, já que o sistema de controle das seções demanda o registro de impedimento manualmente em cada sessão. Naquela sessão, por algum equívoco, não havia registro de impedimento no sistema. Por isso, Lewandowski acreditou que não é possível considerar suspeitas as ligações telefônicas ou as operações financeiras entre Aroldo Cedraz e seu filho.

denúncia tcu
Créditos: Dekdoyjaidee | iStock

Assim, votou pela rejeição da denúncia contra Aroldo Cedraz e pela remessa dos autos à primeira instância em relação aos demais denunciados. Gilmar Mendes acompanhou integralmente a divergência e observou que os registros de comunicações entre o ministro do TCU e o filho se referem a 2013 e 2014, mas o pedido de vista ocorreu em 2012. Para Mendes, a denúncia “se escora apenas na relação de parentesco entre Tiago e Aroldo”. O ministro Celso de Mello seguiu a mesma linha.

Já a ministra Cármen Lúcia acompanhou o relator em favor do recebimento da denúncia por entender que há muitas correspondências entre as datas das movimentações financeiras entre Tiago e Aroldo Cedraz e as idas de Tiago à sede da UTC. Em sua visão, “Esses dados são suficientes para dar prosseguimento à denúncia. […] É preciso esclarecimento quanto a esse dado indiciário”. 

Processo relacionado: Inq 4075

(Com informações do Supremo Tribunal Federal)

Leia também:          

Adquira seu certificado digital E-CPF ou E-CNPJ com a Juristas Certificação Digital. Acesse a plataforma de assinatura de documentos com certificado digital de maneira fácil e segura.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo