Estado é responsabilizado por troca de bebês em hospital gerido por entidade filantrópica

Data:

Caso ocorrido em 1973 resulta em indenização após confirmação por exame de DNA em 2020

Em decisão recente, a 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) determinou que o Estado deve ser responsabilizado civilmente pela troca de bebês recém-nascidos ocorrida em um hospital, mesmo que este tenha sido administrado por uma entidade filantrópica privada.

A justificativa é que o serviço de saúde foi prestado em uma edificação pública. A sentença original condenava o Estado de Santa Catarina a indenizar duas pessoas que foram trocadas ao nascerem em uma instituição de saúde no Vale do Itajaí.

Na decisão de primeira instância, o Estado foi condenado a pagar R$ 100 mil para cada uma das pessoas envolvidas. Em recurso, o Estado alegou prescrição, argumentando que o caso ocorreu em 1973, enquanto a ação só foi proposta em 2021. O ente público também afirmou que o resultado do exame de DNA, realizado em 2020, não deveria alterar o marco inicial para a contagem do prazo prescricional.

Além disso, o Estado defendeu a ausência de nexo causal e a culpa exclusiva de terceiros, já que a instituição de saúde era gerida por uma entidade filantrópica privada e não fazia parte da administração estadual. O Estado também questionou a existência de dano moral, alegando que os autores mantiveram o mesmo relacionamento com os pais biológicos após a confirmação do exame. Foi solicitada, ainda, a redução do valor da indenização.

O relator do recurso aplicou a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual o prazo prescricional para ações de indenização contra o Estado começa a contar a partir do momento em que a lesão e seus efeitos são constatados. Neste caso, a troca dos bebês foi confirmada apenas em setembro de 2020, com o resultado do exame de DNA, sendo este o marco inicial para a prescrição.

Quanto à responsabilidade do Estado, o relator destacou documentos do processo, informando que, em 1972, o hospital passou a ser gerido pela Fundação Hospitalar de Santa Catarina, com administração realizada por representantes de uma entidade filantrópica que oferecia atendimento gratuito à população. Ex-servidores da unidade hospitalar relataram que, em 1973, os profissionais mantinham vínculo trabalhista com a Fundação Hospitalar de Santa Catarina. Mesmo após a extinção da fundação em 1992, os direitos e obrigações foram incorporados ao patrimônio do Estado por decreto estadual. Diante disso, o relator concluiu pela legitimidade passiva do Estado de Santa Catarina e sua consequente responsabilidade no caso.

O recurso foi parcialmente provido para reduzir o valor da indenização, que foi fixado em R$ 80 mil para cada uma das pessoas trocadas, com o aumento dos honorários advocatícios de 10% para 15% sobre o valor da condenação. A decisão foi unânime entre os integrantes da câmara julgadora.

(Com informações do Tribunal de Justiça de Santa Catarina – TJSC)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Bruno Dantas formaliza renúncia ao cargo de ministro do TCU e abre caminho para indicação de Rodrigo Pacheco

O ministro Bruno Dantas formalizou sua renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU), com saída prevista para 9 de setembro. A vaga, destinada à indicação do Senado Federal, deverá ser disputada politicamente e o nome de Rodrigo Pacheco ganhou força para assumir o posto. A mudança ocorre em meio à reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e às articulações do Congresso antes das eleições de 2026.

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo