Justiça da Paraíba proíbe adolescente de 13 anos de produzir conteúdo monetizado nas redes sociais

Data:

crianças e adolescentes
Créditos: Diego_cervo | iStock

A 1ª Vara da Infância e Juventude de João Pessoa negou o pedido de autorização para que uma adolescente de 13 anos continuasse produzindo e divulgando conteúdos monetizados em plataformas digitais. A decisão foi proferida pelo juiz Adhailton Lacet, que também determinou a adoção de medidas para interromper a exploração comercial da imagem da menor.

O pedido foi apresentado pela mãe da adolescente com o objetivo de regularizar a atividade da filha como influenciadora digital em redes sociais como YouTube, TikTok, Instagram, Facebook e Kwai. Conforme os autos, a jovem atuava na produção de conteúdo há cerca de três anos, obtendo rendimentos mensais que chegavam a R$ 6 mil.

Na sentença, o magistrado destacou que a Constituição Federal veda o trabalho de menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. Segundo ele, a exceção que permite autorização judicial para participação de crianças e adolescentes em atividades artísticas não se aplica à produção contínua de conteúdo digital voltado ao engajamento de público e à obtenção de receita.

De acordo com a decisão, os vídeos publicados abordavam a rotina pessoal da adolescente, desafios e outras gravações frequentes com finalidade de ampliar a audiência dos perfis e gerar monetização. Para o juiz, essa prática caracteriza trabalho infantil publicitário e de engajamento, atividade incompatível com a proteção integral assegurada pela legislação brasileira.

A decisão reforça o entendimento de que a atuação de crianças e adolescentes como influenciadores digitais deve observar os limites impostos pela Constituição, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelas normas de proteção ao trabalho infantil, especialmente quando há finalidade econômica e exploração comercial da imagem.

(Com informações do PB Agora)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo