“Justiça para ricos e poderosos”: Herman Benjamin critica caráter classista do sistema penal brasileiro

Data:

clamor público
Créditos: Andrey Popov | iStock

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, de 68 anos, fez uma crítica contundente ao sistema penal brasileiro, que classificou como classista. Segundo ele, o Poder Judiciário acaba praticando uma justiça dividida: uma voltada aos “ricos e poderosos” e outra, “quase medieval”, destinada à maior parte da população.

A declaração ocorreu após o ministro ser questionado sobre comentários recentes do colega Rogério Schietti, também do STJ, a respeito do reconhecimento pessoal por fotografia — prática que, segundo Schietti, tem contribuído para a manutenção de prisões injustas devido à “preguiça” de alguns julgadores.

Justiça de classe

Embora não atue diretamente na área penal, Herman Benjamin afirmou ter condições de avaliar o panorama geral do sistema. Para ele, a desigualdade na aplicação da lei penal é evidente.

“Temos no Brasil um sistema de direito penal que é de classe. Isso acaba transformando o Poder Judiciário em uma Justiça de classe. Em outras palavras, é uma Justiça para os ricos e poderosos e uma outra Justiça dura, muitas vezes quase medieval, para o restante”, afirmou.

O ministro considera essa disparidade incompatível com um Estado Democrático de Direito — especialmente um Estado Social de Direito, que pressupõe proteção aos mais vulneráveis. Ele defendeu igualdade de tratamento em todas as fases do processo penal:

“A Justiça tem que ser igual para todos. A prisão tem que ser igual para todos. E também a absolvição, quando necessária, tem que ser igual para todos.”

Esforço pela igualdade

Herman Benjamin também ressaltou a necessidade de um “esforço permanente” para romper com o que chamou de “Justiça de classe”. Segundo ele, a mudança exige atuação conjunta dos três Poderes — desde a elaboração de leis que protejam grupos vulneráveis até a efetiva implementação dessas normas.

Apesar das críticas, o ministro se disse otimista e afirmou que percebe maior conscientização entre magistrados:

“Os juízes brasileiros estão cada vez mais atentos ao fato de que a Justiça não pode ser cega às injustiças.”

Crítica ao debate sobre o sistema carcerário

O presidente do STJ também apontou falhas na forma como o debate público sobre o sistema prisional é conduzido. Para ele, a desumanidade das instituições carcerárias só ganha destaque quando envolve pessoas com grande influência social ou econômica.

“O sistema carcerário brasileiro só é chamado de desumano, medieval e kafkiano quando um rico ou poderoso de renome está em vias de ser levado à prisão ou ser recolhido”, observou.

Herman Benjamin não fez referência a casos específicos, enfatizando tratar-se de um padrão recorrente no país.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Marcello Perino: caso Apex Partners reforça papel técnico do Judiciário antes da recuperação judicial

O caso Apex Partners reforça o papel preventivo do Judiciário em crises empresariais. Segundo Marcello Perino, a tutela cautelar permite preservar ativos e apurar a situação financeira antes de uma eventual recuperação judicial, mas deve ser temporária, técnica e transparente.

WhatsApp deixará de funcionar em celulares com versões antigas de Android e terá novo requisito no iPhone

O WhatsApp deixará de oferecer suporte a aparelhos com Android 5.0 e 5.1 a partir de 8 de setembro de 2026. Nos iPhones, o requisito mínimo passará de iOS 15.1 para iOS 15.5 em 30 de novembro. Usuários devem verificar a versão do sistema, atualizar o aparelho quando possível e fazer backup das conversas antes da mudança.

Gemini alcança 1 bilhão de usuários mensais e consolida expansão da inteligência artificial

O Gemini, ferramenta de inteligência artificial do Google, ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais, segundo o CEO da empresa, Sundar Pichai. O serviço se tornou o 14º produto do Google a atingir essa marca e, de acordo com o executivo, é o produto de crescimento mais rápido da história da companhia. A expansão da IA também intensifica debates jurídicos sobre dados, direitos autorais, responsabilidade e regulação tecnológica.

PF investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro e mira advogado

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, durante a Operação Arena, que investiga suposta lavagem de dinheiro e ocultação de recursos relacionados a jogos de azar e apostas esportivas. A ação também determinou o bloqueio e sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores e ocorre após Wilians ter sido alvo de outra investigação sobre suposta fraude envolvendo créditos de ICMS.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo