Justiça responsabiliza plataforma por objeto esquecido em veículo de motorista parceiro

Data:

Uber indenizará passageiros após motorista levar pertences
Créditos: Chainarong Prasertthai | iStock

A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve a condenação da Uber do Brasil Tecnologia Ltda. ao pagamento de indenização no valor de R$ 1.820,00 a passageiro que não teve devolvido fone de ouvido esquecido em veículo utilizado em corrida intermediada pela plataforma.

Segundo os autos, o consumidor informou à empresa, logo após o término da viagem, que havia deixado os fones de ouvido no banco traseiro do automóvel. Em resposta, a Uber comunicou que o objeto se encontrava em poder do motorista parceiro, que faria contato para viabilizar a devolução. Apesar das tentativas realizadas pelo usuário junto à plataforma, o motorista não entrou em contato e o bem não foi restituído.

Inconformada com a sentença de primeiro grau, a empresa interpôs recurso, sustentando sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da demanda, sob o argumento de que atua apenas como intermediadora da comunicação entre usuários e motoristas. No mérito, alegou que não poderia ser responsabilizada pela falta de cuidado do consumidor com seus pertences pessoais e afirmou ter disponibilizado todos os meios necessários para a recuperação do item perdido.

Ao analisar o recurso, o colegiado afastou a preliminar de ilegitimidade passiva e reconheceu a natureza consumerista da relação jurídica estabelecida entre as partes. A Turma entendeu que a Uber integra a cadeia de fornecimento, na condição de prestadora de serviço de transporte, uma vez que aufere lucro com a disponibilização da plataforma digital e com as corridas realizadas. Assim, aplicam-se as normas do Código de Defesa do Consumidor, que preveem a responsabilidade objetiva do fornecedor por falhas na prestação do serviço.

No tocante ao mérito, o relator destacou que o conjunto probatório demonstrou que a empresa não adotou as providências necessárias para assegurar a devolução do objeto ao passageiro. Ressaltou, ainda, que o simples repasse do contato do usuário ao motorista não é suficiente para caracterizar o esgotamento das medidas adequadas à restituição do bem.

A decisão pontuou que, embora caiba ao consumidor o dever de guarda de seus pertences, a partir do momento em que a posse do objeto passou ao motorista parceiro, surgiu para a empresa o dever de viabilizar sua devolução ao legítimo proprietário.

O julgamento foi unânime.

Processo nº 0700703-02.2025.8.07.0014.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo