MP que proíbe desconto em folha da mensalidade sindical é inconstitucional

Data:

Decisão vale apenas para o caso em análise

Medida provisória que proíbe desconto em folha da mensalidade sindical é inconstitucional. O entendimento é da 15ª Vara do Trabalho de Brasília.

MP que proíbe desconto em folha da mensalidade sindical é inconstitucional | Juristas
Créditos: Maxx Satori / Shutterstock.com

No caso a decisão suspendeu os efeitos da MP 873/2019,  que alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para proibir o desconto em folha de pagamento das mensalidades sindicais mesmo com a autorização dos trabalhadores.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Públicas de Serviços Hospitalares do Rio Grande do Norte acionou a Justiça do Trabalho contra a MP porque a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) rescindiram o contrato que permitia o desconto em folha.

Saiba mais:

A organização argumentou que a mensalidade associativa não é a mesma da antiga contribuição sindical compulsória e serve para a manutenção das atividades do sindicato. Também afirmou que que a MP atenta contra a autonomia e a liberdade sindical previstas pela Constituição.

Para a juíza Audrey Choucair Vaz, que julgou o caso, a MP viola preceitos constitucionais e traz danos a manutenção da representação sindical, o que implica em danos na representação dos trabalhadores.

Ela também citou o entendimento firmado pela Súmula 342 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que possibilita os descontos em folha por adesão a planos de saúde e entidades recreativas.

Para a magistrada a MP infringe o artigo 8º da CF, o qual prevê que o Poder Público não pode interferir na organização sindical.

Foi concedida tutela antecipada para suspender os efeitos da medida provisória apenas para as partes envolvidas na reclamação em análise.

Processo 0000194-87.2019.5.10.0015

Notícia produzida com informações da Assessoria de Imprensa do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Hysa Conrado
Hysa Conrado
É jornalista, formada pela Universidade São Judas. Tem experiência na cobertura do Poder Judiciário, com foco nas cortes estaduais e superiores. Trabalhou anteriormente no SBT e no portal Justificando/Carta Capital.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo