Relator pede investigação sobre acordo entre MPF e transparência internacional na Operação Lava-Jato

Data:

Relator pede investigação sobre acordo entre MPF e transparência internacional na Operação Lava-Jato | Juristas
Ministro Dias Toffoli
Brasília-DF 29/04/2020
Foto: Marcello Casal Jr Agência Brasil

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que envie ao seu gabinete as investigações em andamento no Ministério Público Federal (MPF) referentes ao acordo firmado entre a força-tarefa da Operação Lava-Jato e a Transparência Internacional. Além disso, requisitou os procedimentos relacionados ao acordo de leniência entre o MPF e a holding J&F.

A determinação foi proferida na Petição (PET) 12061, na qual o ministro também ordenou que os documentos sejam encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria-Geral da União (CGU). Toffoli ressaltou a necessidade dessa providência para investigar possíveis desvios de recursos públicos pela Transparência Internacional e seus envolvidos, sejam eles públicos ou privados.

Relator pede investigação sobre acordo entre MPF e transparência internacional na Operação Lava-Jato | Juristas
Operação Lava-Jato

Segundo o ministro, graves fatos não foram devidamente fiscalizados pelo Poder Judiciário e pelo TCU. Ele destacou que desde 2014 o MPF mantém parceria com a Transparência Internacional, sediada em Berlim (Alemanha), para iniciativas genéricas de combate à corrupção.

Toffoli também mencionou o acordo de leniência firmado em 2017 entre o MPF e a empresa J&F, que previa o pagamento de R$ 10,3 bilhões a título de ressarcimento, sendo R$ 2,3 bilhões destinados à execução de projetos em diversas áreas. Segundo o ministro, a Transparência Internacional teria a responsabilidade de gerir essa quantia, o que levanta questões sobre a legalidade da destinação de recursos públicos para uma entidade privada.

A medida do ministro Toffoli surge no contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 568, na qual o STF já havia levantado questionamentos sobre a legalidade da destinação de recursos derivados de multas a autoridades brasileiras para entidades privadas.

Com informações do Supremo Tribunal Federal (STF).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STF valida lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres e reforça combate à discriminação de gênero

O STF decidiu, por unanimidade, que é constitucional a Lei 14.611/2023, que obriga empresas a adotar medidas de transparência e combate à desigualdade salarial entre homens e mulheres. Para a Corte, a norma concretiza o princípio constitucional da igualdade e não interfere indevidamente na gestão empresarial, reforçando políticas de combate à discriminação de gênero no trabalho.

Troca de provocações entre defesa e acusação marca sessão do Tribunal do Júri em Cuiabá

Uma sessão do Tribunal do Júri em Cuiabá foi marcada por troca de provocações entre advogado de defesa e promotor de Justiça durante a oitiva de testemunhas. O caso envolve a morte de um policial militar em 2023 e gerou discussão sobre a condução dos trabalhos no plenário.

STJ autoriza uso de prova obtida em ação cível extinta para investigação criminal

O STJ decidiu que provas obtidas de forma regular em ação cível de produção antecipada podem ser usadas em investigação criminal, mesmo que o processo cível tenha sido extinto sem julgamento do mérito por falta de interesse de agir. Para a Corte, a extinção não torna a prova ilícita, permitindo seu compartilhamento com inquérito policial, desde que haja autorização judicial e respeito às garantias legais.

Comissão aprova projeto que facilita divórcio em cartório para vítimas de violência doméstica

Projeto aprovado na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher permite que vítimas de violência doméstica peçam divórcio ou dissolução de união estável diretamente em cartório, desde que questões como guarda, pensão e medidas protetivas já tenham sido resolvidas judicialmente. A proposta segue para análise da CCJ.